O Jogo ao Vivo

Futebol

Cova da Piedade acusa Liga de Clubes de ter "dois pesos e duas medidas"

Cova da Piedade acusa Liga de Clubes de ter "dois pesos e duas medidas"

O Cova da Piedade acusou, esta sexta-feira, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional de usar "dois pesos e duas medidas" por recusar o pedido de ausência justificada do clube ao encontro da oitava jornada da LigaPro, frente ao Estoril.

Numa carta enviada à direção da Liga, os piedenses lembram "casos já verificados e que mereceram outras atenções e diligências", bem como "a alteração de calendários e das quarentenas impostas" devido à pandemia de covid-19, e defendem que o regulamento "mal feito e mal pensado" deve ser interpretado "à luz da realidade que se abateu" sobre o clube e do "reconhecimento da força maior".

"Não podemos, contudo, é servir de arma de arremesso ou bode expiatório entre a Direção-Geral da Saúde e a direção da Liga", conclui a missiva elaborada em reação à resposta que a Liga enviou ao pedido de ausência justificada do clube.

Nessa resposta, a Liga confirma a receção do pedido de ausência justificada e refere que o mesmo foi "instruído com correspondência trocada com a delegada de saúde de Almada-Seixal", que altera a informação "transmitida à direção executiva na tarde de ontem [quinta-feira]", e alega pressões da SAD piedense junto da autoridade de saúde para alterar o parecer inicial.

"Tendo em conta, por um lado, a natureza dinâmica destas situações e, por outro, as diligências feitas por uma médica da sociedade desportiva junto da delegada de saúde, é compreensível. E lamentável", diz a resposta da Liga, remetida pela diretora executiva, Helena Pires.

Logo de seguida, a Liga lembra que, ao contrário do que o clube descreve, a autoridade de saúde não tem competência para decidir o cancelamento do jogo, pelo que "naturalmente, não o fez" no documento remetido, e volta a 'questionar' a alteração do parecer da delegada de saúde.

"Notem que ontem (quinta-feira), pelas 16.19 horas, essa sociedade desportiva estava em condições de ir a jogo em cumprimento às Leis do Jogo e dos regulamentos da Liga Portugal. Lamentavelmente, depois de uma intervenção que não nos cumpre classificar, surgiu um novo parecer que isolava os demais jogadores", aponta a comunicação enviada ao clube da margem sul do Tejo.

PUB

Na mesma missiva, a Liga afirma que "resulta óbvio das comunicações da presente semana" que a SAD piedense "incumpriu" no ponto 4.6 do Plano de Retoma do Futebol Profissional, publicado a 7 de setembro, que elenca uma série de medidas preventivas do contágio do coronavírus, "não permitindo que se impedisse a cadeia de transmissão".

Sobre esse aspeto, a resposta enviada esta sexta-feira pelo Cova da Piedade refere que "estes processos são dinâmicos e muito difíceis de controlar, qualquer que seja a estrutura que o clube possua" e aponta como exemplos "a Seleção Nacional" (que teve três jogadores infetados na última concentração, entre os quais Cristiano Ronaldo) e, "novamente", o Sporting e o Gil Vicente.

Por sua vez, a Liga de clubes lembra, ainda, que a 30 de setembro a Assembleia-Geral do organismo alterou o artigo 77.º do Regulamento de Competições "para permitir que as SAD pudessem inscrever até 59 jogadores, por forma a que situações destas não acontecessem", o que mereceu, também, uma resposta veemente dos 'grenás'.

"Não há clubes da II Liga com mais de 30 jogadores inscritos, e em muitos casos bem inferior aos 28 do Cova da Piedade, pela simples razão de que é insustentável suportar os custos de um plantel com tal grandeza, pelo que qualquer argumento fundamentado neste regulamento cai totalmente pela base e revela um total desconhecimento da realidade dos clubes de futebol e das dificuldades diárias dos mesmos", alega a SAD piedense.

Pelo menos 19 elementos da estrutura de futebol profissional do Cova da Piedade estão infetados com o novo coronavírus, dos quais 17 são jogadores do plantel.

O surto que atingiu o plantel piedense motivou a falta de comparência do clube esta sexta-feira ao encontro da oitava jornada da LigaPro no terreno do Estoril Praia.

O Artigo 76.º do Regulamento Disciplinar da Liga Portugal para a época 2020/21 refere no ponto 1 que "a falta de comparência não justificada de um clube a um jogo oficial será punida", no caso de provas por pontos, com a "subtração de pontos a fixar ente o mínimo de dois e o máximo de cinco".Futebol

Outras Notícias