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É fácil criar espaços desde que se jogue com muita velocidade

É fácil criar espaços desde que se jogue com muita velocidade

Marrocos é uma seleção que acaba por representar as melhores características que o futebol árabe tem: a permanente disputa da bola, não dão tempo nem espaço ao adversário, procurando sempre o duelo com muita intensidade. Depois, tem muitos jogadores que pensam e executam rápido e têm muita qualidade técnica.

Um ponto fundamental para o jogo de hoje é a reação defensiva à perda da bola da nossa seleção, que tem de ser mesmo muito forte. Não podemos dar tempo e espaço para que eles iniciem o contra-ataque ou o ataque rápido pelas alas. Julgo que isso será absolutamente fundamental na decisão do encontro e, se preciso for, os nossos jogadores podem e devem fazer faltas no meio-campo ofensivo para evitar essas transições.

Como Portugal mostrou no jogo anterior perto da área adversária, é preciso criar muito espaços, circulando rápido a bola. Essa mobilidade dos nossos jogadores da frente vai arrastar as marcações individuais da linha defensiva de Marrocos. Os defesas seguem o adversário direto e, se houver a tal velocidade, será muito mais fácil criar espaços na linha defensiva. Isto é uma certeza absoluta: com mobilidade, a linha defensiva deles vai acompanhar e isso cria espaço para os outros jogadores romperem.

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Com a Suíça, foram fundamentalmente os três médios suíços a sair dos respetivos lugares para fazer a pressão. Hoje isso será feito por toda a linha defensiva marroquina, o que faz com que os jogadores que jogam por dentro no meio-campo português (Bernardo, Bruno Fernandes, Otávio e João Félix) sejam acompanhados pelos marcadores diretos. Por exemplo, se o Félix fizer o movimento de aproximação ao nosso médio defensivo - William ou Rúben Neves -, o lateral vai acompanhá-lo e isso pode ser aproveitado pelo nosso ponta de lança. É fácil criar espaços, desde que se jogue com muita velocidade.

O jogo com a Suíça foi o melhor da era Fernando Santos, saiu tudo bem e isso dá confiança no processo. O que pode ser prejudicial é ficarmos relaxados com esse sucesso parcial e perdermos intensidade e concentração neste duelo com Marrocos. Vai ser um jogo completamente diferente e exige ainda mais foco. Tivemos o exemplo do Brasil que, com muita brincadeira e já a preparar danças para a final, foi eliminado. Que isso nos sirva de exemplo.

Marrocos também tem qualidade no ataque e, sobretudo, muita velocidade: é uma característica do futebol árabe. Nós envolvemos, e bem, muitos jogadores no ataque e, por isso, quando perdermos a bola, insisto, temos de reagir imediatamente.

*Treinador de futebol

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