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FIFA limita comissões de empresários de futebol a 10% a partir de 2022/23

FIFA limita comissões de empresários de futebol a 10% a partir de 2022/23

A FIFA estipulou, a partir da temporada 2022/23, um limite de 10% às comissões recebidas por agentes de futebol caso represente o clube vendedor, com o intuito de mitigar as "excessivas e abusivas" percentagens associadas. Presidente da ANAF afirma que "ninguém pode regular uma atividade que não conhece"

"O feedback dos principais intervenientes com conhecimentos, tais como a ECA [Associação Europeia de Clubes] e a Premier League, apontaram claramente a necessidade de assegurar que todas as formas de taxas de serviço sejam limitadas para evitar a evasão e para assegurar que o limite seja eficaz", pode-se ler no relatório da FIFA.

Foi também imposto um limite adicional de 3% do salário se o agente servir o emblema comprador.

Como justificação, a FIFA afirma que os agentes "são muitas vezes pagos com base em taxas fixas e pelo clube envolvido", o que significa que a "não fixação de um limite máximo para as taxas fixas permite práticas abusivas e excessivas" nas negociações.

Para Artur Fernandes, Presidente da Associação Nacional de Agentes de Futebol (ANAF) o que a FIFA pretende impor é algo que "viola liberdades" e não defende os vários intervenientes no mundo do futebol (agentes, jogadores e treinadores). "Ninguém pode regular uma atividade que não conhece. Nunca nos foi proposto sentar numa Assembleia para discutir os verdadeiros problemas do futebol mundial. Esta medida cria tetos de competitividade laboral e além disso, em Portugal, existe regulamentação e é isso que interessa aos 300 agentes que temos filiados no nosso país. São essas as regras que iremos seguir", afirma o dirigente.

Artur Fernandes defende ainda que a única via dos agentes ligados ao futebol para combater esta medida são os tribunais, porque o "diálogo já não é possível". "A nossa vida é negociar e por isso já sabemos quando não vale a pena sentarmo-nos à mesa. Nós queremos 8 e a FIFA quer 80 e, como não querem que façamos parte desta família futebolística, empresários de futebol de todo o Mundo já impuseram uma ação em tribunal para combater esta violação de direitos", garante.

Além destes reparos o presidente da ANAF deixou ainda duras críticas ao organismo que tutela o futebol mundial. "É difícil apregoar a transparência e depois vemos que os maiores patrocinadores da FIFA são a Gazprom e a Qatar Airways. Além disso todos sabemos onde se realiza o próximo Campeonato do Mundo (Catar), no qual a preparação tem levado à morte de muita gente, existindo vários relatos de falta de condições laborais para os trabalhadores".

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Desde o início de 2021, conforme número divulgados pela FIFA na passada quarta-feira, os agentes ganharam mais de 442 milhões de euros, o que representa um aumento de 0,7% em relação ao ano passado, sendo que os clubes europeus representam 95,8% do total gasto em "taxas de serviços de intermediários".

A lista é liderada por clubes de Inglaterra (118 milhões de euros), sendo seguidos por emblemas da Alemanha (74 milhões), de Itália (64 milhões), de Espanha (30 milhões), de França (26,5 milhões) e, por fim, de Portugal (25 milhões).

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