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Famalicão de Paneira arrasta multidões

Famalicão de Paneira arrasta multidões

Um autêntico arraial minhoto. É assim que se definem os jogos em que intervém o Famalicão. Milhares de espectadores invadem todos os fins-de-semanas os recintos em que a equipa de Vítor Paneira actua para embalar mais um dos históricos do futebol português para os dias de glória outrora vividos. O emblema famalicense lidera o distrital da Associação de Futebol de Braga com mais cinco pontos que o segundo classificado, o Santa Maria, quando faltam oito jornadas para o final.

O grande responsável por essa situação é Vítor Paneira. Depois de uma brilhante carreira como jogador, o treinador regressou ao clube que o lançou para a ribalta com o objectivo de o voltar a erguer. "Não é fácil quando um clube cai nos distritais subir logo na época a seguir. Felizmente, temos os nossos objectivos bem encaminhados e o facto de dependermos de nós próprios para subirmos de divisão é sinónimo de motivação para continuarmos o bom trabalho que estamos a desenvolver", fez notar Vítor Paneira.

Apesar de afastar o rótulo de salvador, o técnico acredita que o regresso ao clube veio aguçar, ainda mais, o apetite pelo futebol das gentes locais. "A imagem que eu transmiti ao clube ajudou a ter uma maior mobilização por parte das pessoas, porque voltaram a acreditar nele. Famalicão é uma terra que sente e vive o futebol como poucas. E prova disso é o facto de o último jogo do campeonato termos tido uma assistência a rondar os cinco mil espectadores. Isso é fantástico para o clube e reconfortante para quem nele trabalha", garantiu o técnico, que conta com passagens pelo Ribeirão, Vila Meã, entre outros.

"Vir para o Famalicão não foi dar um passo atrás na minha carreira de treinador. Estou cá porque é o clube da minha terra e que me diz muito. Além disso, estou acompanhado por gente séria, com credibilidade e que está disposta a lançar o Famalicão para o lugar que ele merece", frisou Vítor Paneira, mas sem entrar em euforias desmedidas.

Comentador de serviço em vários jogos da Liga transmitidos pela SportTV, Vítor Paneira tem estado ligado com aquilo que se passa ao mais alto nível. Questionado para quando um ingresso numa equipa de topo, o treinador foi peremptório. "É uma questão de oportunidade. Quando tive no Ribeirão recebi o convite de um clube da primeira divisão, mas acabei por o recusar. Sei que o facto de não ter empresário também é um handicap para atingir essa meta, mas tal como construí solidamente a minha carreira de jogador, também a quero fazer como treinador". Sintomático.

"Clube está no caminho certo para voltar à ribalta"

Sócio do clube há 55 anos, Carlos Carreira assumiu a presidência da Comissão Administrativa para "não deixar morrer o Famalicão". Segundo o dirigente, apesar de o passivo rondar um milhão e meio de euros, o clube é "viável" e tem condições para, dentro de poucos anos, estar novamente entre os grandes do futebol português. "O Famalicão está no caminho certoportuguês. Estamos a trabalhar para resolver todos os problemas financeiros criados pelas direcções anteriores e prontos para começar a subir até ao topo", garantiu Carlos Carreira, que pretende chegar à Liga de Honra dentro de três anos. "O clube está vivo e as pessoas começam a regressar. No último jogo tivemos cinco mil espectadores e isso é, no mínimo, satisfatório porque as pessoas já começam a ter a noção que este é um projecto credível".

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