Futebol

Mais depressão do que pressão

Mais depressão do que pressão

No fecho (finalmente!) da oitava jornada do campeonato, que se prolongou por quase uma semana, o Sporting empatou com o Vitória de Guimarães (1-1), subindo ao quarto lugar, agora a dez pontos do líder Benfica.

Pelo que fez durante cerca de uma hora, o Vitória merecia mais do que um pontinho. A igualdade foi quase um castigo para quem tanto batalhou e dominou. Mas o futebol é assim: nem sempre ganha o melhor. Só que, tal como sucedeu no jogo com o Benfica, perto do fim quase acontecia o inesperado, com um golo de Matias Fernandez, mas Rui Miguel, no último minuto, fez a justiça mínima. Como tal, mesmo este empate do leão foi ilusório. Pode mesmo afirmar-se que no duelo do futebol geométrico o losango (Veloso, Moutinho, Matias e Vukcevic) sportinguista perdeu frente ao triângulo (Flávio, Nuno Assis e João Alves) vimaranense. Talvez porque os da casa souberam jogar em linha recta, ou seja, procurando seguir sempre o caminho mais curto entre dois pontos, a defesa e o ataque. Na luta entre os Paulos, o Sérgio (bela estreia!) foi mais eficaz do que o Bento.

O Sporting voltou a mostrar que está em crise, que parece prolongada. Logo, não é crise, é resignação. Mais do que pressão, existe depressão. A equipa perdeu organização e agressividade e, com isso, afunda-se o colectivo e alguns jogadores. Só despertou nos derradeiros 15 minutos...

Liedson não se viu, Vukcevic foi mais defesa do que avançado, Matias Fernandez esteve sempre ausente, os laterais são um susto constante para os adeptos. Apenas Moutinho remou contra a maré. O seu sistema de jogo está gasto e não resulta.

Os vitorianos entraram bem, em aceleração ante um Sporting que de leão só tinha o nome. Sem garra nem garras, permitiu o domínio adversário, com os centrais verde e brancos a fazerem horas extras. A beijar o décimo minuto, gritou-se golo, mas Rui Patrício fez uma enorme defesa, na sequência de um livre primoroso de Moreno.

Só dava Vitória e, pelo quarto de hora, pediu-se penálti. Com laterais irreconhecíveis, demasiado lentos (Grimi e Abel), Targino e Desmarets lançavam o pânico na defensiva leonina, que se reforçava com os recuos de Vukcevic, Moutinho ou... Liedson (!).

Mas o golo não aparecia. Nem quando, no final de primeiro tempo, João Alves, isolado, atirou à figura. O domínio era total do Vitória e só falhava o último passe ou melhor finalização. Os leões respiraram de alívio quando Benquerença apitou para o intervalo. Terminara o suplício.

No reatamento, Pereirinha trocou com Grimi, indo Veloso para lateral esquerdo. Era preciso refrescar, até porque o Vitória perdia ritmo. O Sporting começou, finalmente, a discutir o jogo. Como Caicedo passou ao lado da partida, entrou Postiga e os leões subiram mais no terreno.

No Guimarães, Roberto rendeu o esgotado Targino. O jogo animava, os leões apertavam o cerco e Liedson teve nos pés a possibilidade de fazer o seu centésimo golo na Liga, mas não conseguiu. Marcou Matias, após uma confusão em mais um golo com muitos protestos do público. Nos descontos, Rui Miguel repôs justiça mínima, fazendo o empate.

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