Liga 2

Jardel batia "à Bruno Fernandes" até inventar o "penálti-estátua"

Jardel batia "à Bruno Fernandes" até inventar o "penálti-estátua"

Antigo companheiro de equipa no Leça, Gustavo Galil recorda a origem do icónico penálti de Jardel. "Timing do momento em que ele vai bater a bola" torna-se difícil de prever, complicando a vida aos guarda-redes.

Jardel espantou o mundo do futebol com a forma peculiar como executou as duas grandes penalidades de que dispôs no jogo entre Feirense e Leixões, da Liga 2, que terminou empatado a um golo.

O avançado guineense fixou o pé de apoio junto à bola, levantou a perna direita e, sem se mover durante alguns segundos, esperou pelo momento ideal para rematar.

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As imagens do "penálti-estátua", como foi rapidamente batizado nas redes sociais, correram o mundo, mas nem todos ficaram surpreendidos com o lance.

Gustavo Galil foi um desses casos. O atual guarda-redes do Tirsense partilhou o balneário com Jardel no Leça, na temporada 2020/2021. E foi precisamente aí que nasceu a icónica forma de bater grandes penalidades do guineense.

Quando chegou a Matosinhos, oriundo dos espanhóis do Mérida, Jardel ainda corria para a bola nos penáltis. "Era tipo o Bruno Fernandes, com um saltinho antes de rematar. Chegou a marcar dessa forma, contra o Gondomar", recorda Galil, "mas não lhe estava a correr bem, e mesmo nesse penálti o guarda-redes quase defendeu".

Isso bastou para que Jardel mudasse, "do dia para a noite", a forma como batia as grandes penalidades, adotando a peculiar pose estática no duelo particular com o guarda-redes. "A partir daí, nos treinos, via-me perdido para as defender", conta o guardião, em muito porque, para quem defende, ficou a faltar a referência do "momento em que ele vai bater a bola".

"Agora as pessoas já conhecem, mas para o guarda-redes o mais difícil é o timing. O Jardel tanto pode ficar assim dois como dez segundos, e depois bate bem na bola. Se ele demora um pouco mais, o guarda-redes começa a ficar ansioso e pode não estar preparado ou mexer-se um pouco, e se o fizer ele vira o pé antes" para direcionar a bola, explica Galil.

O brasileiro, de 24 anos, admite que é preciso coragem para fazer o que Jardel faz na marca dos onze metros. Ainda nos tempos do Leça, "dizia-lhe que, nos jogos, ele não ia ter coragem de fazer assim, mas fez", recordando um penálti convertido frente à Sanjoanense, em jogo do Campeonato de Portugal.

De lá para cá, o guineense repetiu a façanha por diversas vezes, com uma taxa de sucesso assinalável, mesmo em contexto de treino. Porém, no duelo entre Feirense e Leixões, a contar para a 3.ª jornada da Liga 2, só marcou uma das duas tentativas de que dispôs, com a agravante de o penálti desperdiçado ter surgido no tempo de compensação, numa altura em que o jogo estava empatado a um golo.

Apesar disso, Gustavo Galil dá força ao amigo. "Mandei-lhe uma mensagem a dar os parabéns pela coragem e a dizer que não é por falhar que tem de mudar. Disse-lhe para continuar assim, para não mudar o jeito só porque falhou, porque ele bate bem", revelou o brasileiro.

Aos 24 anos, Jardel cumpre a segunda temporada no Feirense, que o contratou ao Leça. O avançado marcou nas primeiras três jornadas da atual edição da Liga 2. Para lá do penálti que imortalizou, já faturou de pontapé de bicicleta, na 2.ª jornada, frente ao Sporting da Covilhã.

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