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Jesus cita Camões e queixa-se da agressividade verbal dos treinadores brasileiros

Jesus cita Camões e queixa-se da agressividade verbal dos treinadores brasileiros

O treinador Jorge Jesus respondeu aos críticos, depois da vitória em casa do Grémio. Na conferência de imprensa, esclareceu que não veio ao Brasil para ensinar, nem tirar valor a ninguém.

O Flamengo venceu o Grémio por 1-0 na Arena Grêmio e está mais perto de ser campeão brasileiro, beneficiando também do empate do Palmeiras em casa do Bahia. A equipa de Jorge Jesus está apenas a dois pontos do título e uma vitória é suficiente. O próximo jogo para o campeonato é em casa contra o Ceará, dia 28 de novembro, cinco dias depois da final da Libertadores.

O técnico português respondeu às críticas que tem sido alvo no Brasil. Refere que não foi para o Brasil ensinar ninguém, nem com o objetivo de tirar valor aos treinadores brasileiros, daí não perceber o julgamento por parte dos colegas de profissão.

"Vim para o Brasil para trabalhar, não vim para tirar o lugar a ninguém, nem para ensinar. Vim para trabalhar dentro de uma metolodogia de jogo que tenho e que apresentei ao Flamengo. Não sou melhor nem pior do que nenhum treinador brasileiro e quero que percebam que o facto de estar aqui não quer dizer que esteja a denegrir ninguém ou mostrar que os brasileiros têm maior ou menor valor."

Jesus reclamou da igualdade de tratamento em relação aos técnicos brasileiros que orientam equipas em Portugal, destacando o exemplo de Luiz Felipe Scolari, antigo treinador da seleção portuguesa de futebol e acarinhado pela população portuguesa.

"Gostaria ainda de relembrar aos meus colegas que em Portugal já treinou o Scolari, que é acarinhado por todos os treinadores portugueses. Além dele, Sebastião Lazaroni, Abel Braga, Carlos Alberto, Paulo Autuori... Todos estes estiveram em Portugal e, quando isso aconteceu tentámos aprender com eles e tirar algo de positivo. Nunca houve esta agressividade verbal constante que têm tido sobre mim. Até os reformados, que já estão em casa a tremer... Sinceramente, não entendo estas mentes fechadas e espero que olhem para mim como colega de profissão, independentemente de ser português, argentino ou brasileiro!"

Jorge Jesus não se deixou ficar e argumentou que a evolução dos jogadores do Flamengo está relacionada com a qualidade do treinador.

"Ninguém sabia quem era o Pablo Marí. Ninguém sabia quem era o Gerson. Sabiam que o Bruno Henrique existia. Mas ele jogava assim? É por aí. Tem a ver com o crescimento dos jogadores no treino. Tem a ver com a qualidade do treinador."

No final da conferência, num ambiente mais sereno, Jesus referiu a palavra "inveja", presente na obra de Luís Vaz de Camões.

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