Kateryna Monzul já foi eleita a melhor árbitra da Europa. Agora, é também refugiada

Kateryna Monzul
A árbitra ucraniana, que já foi considerada a melhor da Europa, conseguiu sair do país natal e rumar até Itália, onde vai arbitrar um jogo da Serie A feminina.
Kateryna Mozul tem 40 anos e é licenciada em Arquitetura e Planeamento do Território, mas é na arbitragem que mais dá que falar. Estreou-se nos relvados em setembro de 2005, num jogo entre a Finlândia e a Polónia na qualificação para o Europeu de 2007, foi considerada a melhor árbitra europeia em 2015 e, no palmarés, já soma uma final da Liga dos Campeões feminina e esteve em quatro Campeonatos do Mundo e três Campeonatos da Europa. No futebol masculino, também arbitrou jogos da liga ucraniana e na Liga das Nações. Mas hoje, Kateryna faz parte dos milhões de refugiados que tiveram de fugir à guerra.
A ucraniana conseguiu fugir para Itália e foi integrada na iniciativa da Federação Italiana de Futebol que está a tirar jogadores, jogadoras, árbitros e árbitras da Ucrânia para lhes oferecer uma nova oportunidade. E este domingo vai voltar ao ativo, já que foi nomeada para dirigir o encontro entre o Inter Milão e a Sampdoria, da liga feminina. Kateryna também fez parte da histórica equipa arbitragem totalmente feminina que arbitrou, em 2021, o encontro entre Inglaterra e Andorra, na qualificação para o Mundial do Catar. Juntamente com Kateryna, também estavam Svitlana Grushko, que conseguiu fugir do país, e Maryna Striletska, que decidiu ficar no país natal.
Os russos aparecem à nossa porta com armas na mão mas têm fome
"Eu e a minha família estamos em casa. Às vezes ouvimos explosões. Nem sequer posso fazer exercício de manhã, sair de casa não é seguro. Os invasores estão à nossa volta, não conseguimos escapar a tempo. Atualmente, as coisas estão calmas na minha aldeia. Mas estão a decorrer conflitos nas aldeias vizinhas e conseguimos ouvir as explosões e os bombardeamentos. O mais seguro, neste momento, é ficar em casa e rezar", explicou a árbitra em declarações ao "Mirror", revelando que os militares russos já chegaram a pedir comida.
"Os russos aparecem à nossa porta com armas na mão mas têm fome, pedem comida e água e levam tudo o que temos. Os ucranianos são destemidos. Carregamos minas nas nossas mãos e estamos a parar tanques sem armas, só com os nossos corpos. Preparamos cocktails Molotov caseiros para proteger os nossos lares. A diferença entre os ucranianos e os russos é que eles são cobardes, deixam-se intimidar, ficam parados enquanto veem outros como eles serem arrastados para as prisões. Na Ucrânia, somos livres, vivemos em democracia. Se a polícia arrastasse alguém para a prisão, acreditem: ninguém ficaria parado e a olhar para o outro lado. Vamos lutar até ao fim", vincou Maryna Striletska.
