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Luís Filipe Vieira garantiu, esta terça-feira, que nunca quis vender Rui Vitória e que o técnico continua até ao fim da época. Prometeu demitir-se se for provada corrupção no Benfica.
"Não era a minha intenção vender Rui Vitória. Quando fazemos um contrato com o treinador é para cumprir. E assim será. É estranho uma conversa destas ser revelada. Na altura houve uma proposta por Rui Vitória e mostrámos as condições. Cláusula? Já tinha havido conversações entre eles todos e, caso o Rui Vitória quisesse sair, o Benfica não ia impor barreiras", disse Luís Filipe Vieira em entrevista à TVI, assegurando a continuidade de Rui Vitória até ao final do contrato.
"Há uma grande injustiça com o Rui Vitória. Em dois anos conquistou seis títulos. Não somo invencíveis e, na época passada, não estivemos tão bem. Mas é passado. O Rui Vitória tem feito um trabalho incrível e consegue ter sempre um plantel competitivo. Tem feito um trabalho fantástico na formação e é um projeto que o Benfica quer manter. O Rui Vitória é o homem certo para o projeto do Benfica. Por minha vontade, garanto que será treinador do Benfica até ao fim do contrato. Tem havido muita crítica e ele não merece", prometeu, revelando a renovação de João Félix.
"O Benfica vive pelos próprios meios e quer ser completamente independente. Neste momento, tem jovens e continua a investir nos centros de estágio. O Benfica não pode abdicar desta estratégia e o Rui Vitória é o treinador mais indicado para este projeto. Ele tem previsto lançar mais três jogadores e João Félix vai renovar. O Benfica não pode depender de um resultado menos bom. O Benfica tinha tendência para o suicídio e não poderá fazer o que fez no passado", disse.
"Nunca estivemos genuinamente zangados"
Ainda sobre treinadores, Vieira não descartou um eventual regresso de Jorge Jesus, atualmente a treinar na Arábia Saudita. "O futuro não se sabe. A única coisa que eu posso dizer é que somos amigos e costumamos falar e nunca estivemos genuinamente zangados. Substituir o treinador nesta altura é muito arriscado. Eu compreendo os adeptos mas é na hora da derrota que precisamos dos adeptos", afirmou o presidente do Benfica, explicando o fim de carreira de Luisão, pouco depois de ter renovado contrato.
"O Luisão tem 15 anos, é um grande capitão do Benfica e é o meu companheiro de viagem. O único que conhece a miséria que havia e a fartura que há hoje. Falamos os dois, falamos com o treinador e não há mais nada a fazer. Rescindiu o contrato. O Luisão devia ter uma atenção especial, não jogava e o próprio disse-me que não se sentia bem assim. Nunca houve problemas, é difícil haver problemas nesta casa. Quando ele me disse que queria acabar a carreira, não acreditei. Só levei a sério quando ele me começou a falar da forma como ele queria a festa de despedida", contou.
"O Benfica perdeu um grande profissional"
"O Paulo Gonçalves é da confiança do Benfica e da minha. No primeiro momento, não sabíamos de nada e não teve qualquer acusação e decidimos por unanimidade a continuidade. Num segundo momento, quando foi constituído arguido e foi por vontade própria que foi embora. O Benfica perdeu um grande profissional. E deixo uma garantia: tudo o que o Benfica ganhou foi dentro de campo e com muito suor. Se for provada corrupção do Benfica, demito-me na hora. Sempre defendi a verdade desportiva", atirou.
"Alguém entrou na caixa de emails do Benfica. Mais grave do que isso, foi o que se expôs da vida dos funcionários do Benfica. Não estão lá ofertas de dinheiro ou prostitutas para ninguém", afirmou. O líder dos encarnados abordou ainda as acusações de censura de António Simões.
"Nunca fiz censura no Benfica nem vou ao canal do Benfica. Não vou falar muito de António Simões por respeito ao Benfica. Mas o Simões mentiu e tem de respeitar o Benfica e todos os profissionais desta casa. Eusébio só há um. Somos todos do Benfica. Devo ter sido o único presidente a apoiar os ex-jogadores em todas as situações. Eu não recebe lições do Simões nem de nenhum atleta do Benfica. Temos ajudado muitos os ex-jogadores e sem fazer publicidade nenhuma. O António Simões não tem o direito de fazer aquilo que fez na praça pública. Não foi ele que ligou para mim, fui eu que liguei para ele. Se ele tem algum problema com o Benfica, que o resolva no Benfica", vincando que o Benfica "nunca teve cartilhas".
"Ninguém me disse nada. O que é que o Benfica tem a ver com a toupeira? Vamos ver o que vai suceder. Deixe a justiça funcionar. Devem investigar, mas não devem investigar só o Benfica. Há uma determinada zona do país que parece que tem uma justiça e outra tem outra. É uma realidade. Uma prova: Soares Dias não desistiu das queixas. Foi pressionado, há árbitros que se sabe perfeitamente que foram ameaçados. O Conselho de Arbitragem não os tem protegido nem dado o seguimento que deveria dar. Hoje condiciona-se muito. Posso garantir que nunca almocei com os árbitros nem nunca estive num túnel a ameaçar ninguém".
Sousa Cintra travou "loucuras"
"Se Bruno de Carvalho continuasse como presidente, éramos capazes de cometer loucuras. Mas quando Sousa Cintra ocupou o cargo, falei com ele pessoalmente e garanti que não iria fazer nada". Sobre o novo presidente dos leões, Frederico Varandas, Vieira foi categórico.
"Conheci e lidei de perto com cinco presidentes do Sporting. Ganharam quando se preocuparam apenas com o Sporting. Aqueles que, para unir as tropas, puseram o Benfica à frente, ficaram pelo caminho. Se Varandas vier com esse propósito, não vai estar lá muito tempo. Tem muito trabalho para fazer e se se preocupar só com o Sporting terá sucesso. Se se preocupar com o vizinho do lado, quando der conta, o vizinho do lado já vai com um andamento que ele não vai alcançar", concluiu.
