morais Adeus ao homem da Taças das taças

Morreu o homem do cantinho

Morreu o homem do cantinho

"Virei-me para o banco e confirmei se era eu a marcar. O técnico acenou-me que sim. Lá fui. Peguei na bola com jeitinho, disse-lhe umas palavrinhas amigas, dei-lhe um beijinho. Depois, mal senti o pé a bater nela fiquei logo com a sensação de que seria golo".

Era assim que João Morais, falecido na terça-feira aos 75 anos, descrevia o célebre cantinho do Morais que deu ao Sporting o único título europeu, a Taça das Taças, a 15 de Maio de 1964, na Bélgica, contra os húngaros do MTK.

O ex-jogador leonino é recordado por aqueles que com ele partilharam vida e balneário, como uma força da natureza. "Foi jogador do Benfica mas não se deu com os ares da Luz e acabou por vir para o Sporting. Foi bem recebido porque era um grande colega de balneário e um grande homem. Tecnicamente era muito bom, chutava tanto com o pé esquerdo como com o direito. Fazia 90 minutos e acabava como se estivesse a começar ", salienta Hilário, colega no Sporting e selecção.

O ex-companheiro recorda o acaso que deu a presença de Morais na final de Antuérpia. "A sua participação no jogo da final da Taça das Taças dá-se devido à minha lesão (fractura da tíbia perónio no jogo com o V. Setúbal que antecedeu a final). Foi convocado pela instalação sonora do estádio para me substituir nos eleitos", explicou.

Hilário garante que o canto directo não foi um acaso "ele treinava aquilo diariamente", mas prefere salientar a perda de "um grande homem de quem guardo grandes e excelentes recordações", concluiu.

O corpo de Morais estará na Igreja de S. Francisco, em Vila do Conde, de onde sairá para o cemitério da mesma cidade, pelas 16.30 horas de hoje, onde será realizado o funeral, que contará com a presença de Costinha, Polga e Tiago. Já ontem, o plantel guardou um minuto de silêncio antes do início do treino.

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