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Dakar

Queda matou piloto português Paulo Gonçalves

Queda matou piloto português Paulo Gonçalves

O piloto de motos português Paulo Gonçalves morreu, este domingo, num acidente durante a sétima etapa do Rali Dakar, entre Riade e Wadi Ad-Dawasir, na Arábia Saudita. Deixa, entre muita coisa, a lembrança da disponibilidade e do altruísmo que lhe valeram o título carinhoso de "irmão mais velho" do Dakar.

O piloto de 40 anos, que usava a dorsal n.º 8, sofreu uma queda fatal numa das muitas e largas retas da etapa, ao quilómetro 276 da especial, passava das 10 horas locais (7 horas em Portugal continental), avançou a organização da competição durante a manhã.

Encontrado pelos adversários Toby Price, australiano, e Steven Svitkoštefan, eslovaco, Paulo Gonçalves já estava inconsciente, vítima de paragem cardíaca, quando os médicos chegaram. Fracassados os esforços da equipa para reanimarem o piloto no local, foi levado de helicóptero (que chegou ao terreno em oito minutos) para o Hospital Layla, onde o óbito foi declarado.

Como ocupava a 4.ª posição na corrida, à passagem pelo controlo anterior ao ponto fatídico, quase toda a caravana o viu deitado, alguns pilotos sem perceberem quem viam. No meio da areia, o desalento de Joaquim Rodrigues, colega de equipa e cunhado - ele sabia bem quem via. Adianta o espanhol "El País" que muitos atletas questionaram a razão pela qual a etapa não foi suspensa ou neutralizada (finalizada ali).

As demandas poderão mesmo ter motivado a decisão da organização de cancelar a oitava etapa, prevista para segunda-feira, anunciada já durante a tarde. "Disseram-me para continuar. Cheguei ao abastecimento e outros pilotos revelaram que eras tu que estavas caído. Fiquei sem chão e ainda faltavam 70 quilómetros. Chorei cada quilómetro até ao final", partilhou o argentino Kevin Benavides, vencedor da etapa, numa mensagem emocionada dirigida ao amigo.

Além de ser a mais comprida de toda a prova, a sétima etapa foi também "demasiado rápida" - descreveu o piloto espanhol Carlos Sainz, vencedor da etapa dos automóveis - e feita de terrenos arenosos com algumas dunas e zonas fora de pista. Para Matthias Walkner, a etapa também "foi uma das mais rápidas" que conduziu em rali. O piloto austríaco, ajudado por Paulo Gonçalves durante um acidente no Dakar em 2016, disse ainda que, dos "546 quilómetros" batidos "em menos de quatro horas e meia", "90% foram fora de pista, o que se aproxima do limite do aceitável". "Sabemos que o menor erro pode ter consequências terríveis", reagiu no Facebook, sugerindo que o acidente poderá ter sido provocado por um excesso de velocidade. Velocidade, que era o nome do meio do português, natural de Esposende, conhecido orgulhosamente por "Speedy" Gonçalves, numa analogia com o desenho animado Speedy González.

O veterano (esta era a sua 13.ª participação), que partiu em 46.º lugar na tabela geral depois de ter recuperado de uma avaria na terceira etapa que quase o encostava, estreou-se em 2006 e terminou por quatro vezes no top 10. No Dakar de 2015, ficou em segundo lugar atrás do espanhol Marc Coma, dois anos depois de ter sido campeão do mundo de ralis todo-o-terreno. Desde 2019 que corria pelo fabricante indiano Hero Motorsports, depois de se ter desvinculado da Honda.

No sábado, dia para descansar antes da prova deste domingo, Gonçalves comunicou com os seguidores das redes sociais, a quem fez um resumo, em vídeo, da primeira semana no Dakar, "uma semana com altos e baixos".

"Comecei o Dakar de forma regular, porque o objetivo era manter-me sempre nos lugares cimeiros para conseguir um bom resultado final. Infelizmente, no terceiro dia, tive um problema mecânico que quase me colocava fora da corrida. Consegui resolver, felizmente, e mantive-me na corrida. A partir desse dia, o objetivo foi alterado, obviamente. Sem conseguir um bom resultado final, passei a tentar disputar cada dia como se fosse uma corrida nova", disse, em vídeo, acrescentando ter conseguido "bons resultados", com um quarto, um oitavo e um décimo lugares.

"Agora estamos aqui no dia de descanso, a preparar o homem e a máquina para a segunda semana, que se espera ser de muita areia e muitas dunas", rematou.

Recorde a entrevista do JN ao "Speedy", no início de 2016, dias depois de uma queda numa corrida do Dakar desse ano ter deixado o piloto inconsciente e ter ditado o seu abandono à 11.ª etapa. Um ano antes, tinha conseguido o segundo lugar no Dakar.

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