Opinião

Mundial tecnológico

Catar 2022, o Mundial de futebol com mais tecnologia ao serviço da arbitragem de sempre.

Apareceram duas novidades: a Al-Rihla, a primeira bola com sensor de toque e movimento e um processo semiautomático de análise de fora de jogo. Apesar desta evolução tecnológica, não temos um Mundial isento de erros, sobretudo nos lances de penálti. Outra particularidade deliciosa é a exatidão milimétrica que decisões 100% tecnológicas têm trazido: bolas dentro do terreno de jogo por milímetros, foras de jogo validados com diferenças impensáveis e até validação de trajetórias de remates para atribuir o marcador de um golo.

Esta segunda vertente tem causado desconforto a muitos comentadores, treinadores e jogadores, levando-os a exprimirem-se que a decisão milimétrica tira humanidade ao futebol. Considero francamente curiosas estas manifestações, pois ao virem de pessoas que vivem o/do futebol levam-me a pensar que o futebol, como conhecemos durante um século, está a mudar definitivamente.

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Dois desafios começaram com o Mundial no Catar: primeiro é saber se o futebol de cada país conseguirá ter meios financeiros para transpor toda a tecnologia para as suas competições; o segundo, se toda essa tecnologia trará mais pessoas aos estádios, ou se, ao invés, os adeptos vão preferir ficar também com a tecnologia em casa e perceber aquilo que, quiçá, possa passar a ser o mais importante e emocionante do jogo: a decisão da tecnologia.

*Ex-árbitro de futebol

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