Opinião

O poder da bancada certa

Sahar Khodayari, adepta do Esteghlal F. C., foi condenada a seis meses de prisão por ter tentado entrar no Azadi Stadium, em 2019, vestida de homem, porque no Irão as mulheres não podem assistir aos jogos de futebol nos estádios.

À saída do tribunal, imolou-se e veio a falecer. Mahsa Amini faleceu em setembro de 2022, em Teerão, após ter sido espancada e detida por não usar o hijab.

Novembro de 2022 - pela primeira vez, o Mundial de Futebol da FIFA tem lugar num país árabe, momento que, por si só, ocupa um lugar ímpar na História mundial. Durante este torneio, já ocorreram diversas manifestações de adeptos na bancada, nas quais é evidenciada a solidariedade em oposição às repressões básicas de direitos humanos - porque o desporto tem o poder de mudar o Mundo. E as bancadas, por natureza, sempre vestiram estas camisolas. Tiremos ilações - para que a mudança tenha lugar, temos de nos sentar todos na mesma bancada - a bancada dos direitos humanos, da igualdade, da liberdade, do livre desenvolvimento da personalidade.

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O Mundial do Catar podia ter escrito a letras de ouro uma página na História pelas mãos da FIFA. Este Mundial podia já ter influenciado a mudança de alguma forma, com o simbolismo que naturalmente carrega. Aqueles que têm as armas certas nas suas mãos têm o poder de influenciar o rumo destas vidas - só lhes falta querer fazê-lo.

Esta crónica é dedicada a todos aqueles que, sem receio de consequências, escolhem as bancadas certas e vestem a camisola da mudança. E esse devia ser também o papel do futebol mundial.

*Presidente da Associação Portuguesa de Defesa do Adepto

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