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OPA do Benfica: oito perguntas para entender a operação

OPA do Benfica: oito perguntas para entender a operação

A Sport Lisboa e Benfica, SGPS lançou, no dia 18 de novembro, uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre 28,06% das ações da Benfica, SAD disponíveis no mercado, pagando cinco euros por cada papel. Perceba melhor o que está em causa nesta operação.

1. O controlo da SAD está em risco?

Não, o Benfica não corre, nem nunca correu, o risco de perder o controlo da sociedade desportiva que administra o futebol profissional. O clube é dono de 40% da SAD e ainda detém mais 23%, através da Benfica SGPS.

2. Quanto custa a operação ao clube?

O obetivo do Benfica é controlar 95% da SAD, oferecendo aos titulares cinco euros por cada ação disponível no mercado. Se a operação for bem sucedida, o clube pagará 32 milhões de euros aos investidores.

3. Luís Filipe Vieira, presidente do clube, sai beneficiado?

A curto prazo, não. Os membros dos órgãos sociais detentores de ações não as podem vender no imediato. Mas poderão fazê-lo quando abandonarem os cargos, pelo valor fixado pela Sport Lisboa e Benfica, SGPS nesta OPA. Assim, Luís Filipe Vieira, que possui 763 mil ações, poderá encaixar 3,7 milhões de euros. Antes do anúncio da OPA, as ações estavam cotadas um pouco acima de dois euros, pelo que o ganho, a médio prazo, é considerável.

4. A OPA já é um facto consumado?

A operação terá de ser confirmada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o que ainda não aconteceu. Quando e se acontecer, terá de ser publicado um prospeto onde serão forneceidas informações adicionais.

5. Quem poderá encaixar mais dinheiro com esta OPA?

Desde logo, José António dos Santos, o proprietário da Valouro. Trata-se, atualmente, do maior acionista individual do Benfica, com 12,71% das ações. Comprou as ações do Benfica por um euro. Se vender agora, multiplicará por cinco o valor aplicado há dois anos, encaixando cerca de 14 milhões de euros.

6. Por que razão paga o Benfica cinco euros por cada ação?

Segundo o anúncio preliminar da OPA, o preço oferecido por ação "visa assegurar" que quem pagou mil escudos (cinco euros) em 2001 possa vender a um preço semelhante agora. Luís Filipe Vieira encontra-se entre os investidores que adquiriram ações há 18 anos. Mas há um efeito indireto, como se vê no caso de José António dos Santos, uma vez que possibilita mais-valias importantes a um investidor individual que adquiriu os papeis há apenas dois anos, por um euro cada.

7. A SAD do Benfica alguma vez distribui lucros pelos acionistas?

Nunca aconteceu. No entanto, se a OPA tiver sucesso, com 95% do capital na mão a distribuição passará a fazer sentido, uma vez que o clube, através da participação direta e indireta, via Sport Lisboa e Benfica, SGPS, possuirá a esmagadora maioria do capital.

8. Após a OPA, a sociedade deixará de estar cotada em bolsa?

Não é essa a intenção da administração, que comunicou o desejo de manter "as ações admitidas à negociação no mercado". Mas atendendo a que apenas 5% do capital estará disponível ("free float"), faz pouco sentido.

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