Projecto da Universidade de Coimbra e da EDP afasta as aves dos cabos de electricidade.
O projecto chama-se Stork e tem dois objectivos: por um lado pretende desencorajar a cegonha de usar os cabos públicos de electricidade para nidificação - e evitar casos fatais, e frequentes, de morte das aves por electrocussão -, por outro pretende-se minimizar as consequentes interrupções na distribuição de energia eléctrica. Aparentemente, é uma situação com vantagens para ambas as partes, mas sobretudo para as aves, que vêm reduzida a taxa de mortalidade.
O Stork, denominado Sistema de Protecção para Avifauna/Cegonhas, foi desenvolvido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, através do Departamento de Ciências da Vida e do Instituto de Sistemas e Robótica. Trata-se de uma solução tecnológica inovadora em Portugal, que usa financiamento da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e foi solicitada pela EDP (Energias de Portugal).
Genericamente, o Stork é um sistema de alertas sonoros que se instalam nos postes de electricidade das zonas mais frequentadas pela população de cegonhas brancas (Alentejo e Baixo Mondego). Não se trata de uma invenção, mas da adaptação de um sistema norte-americano que recorre a frequências sonoras audíveis (sons de aves) e sinais ultrassónicos (sons incomodativos para as aves, que as afastam), em sequência e tempos de intervalo aleatórios.
A partir de "gravações de sons naturais de diversas espécies de aves, entre as quais pombos, falcões, estorninhos e gaivotas, o dispositivo emite alarmes em linguagem perceptível para as aves", explica ao JN Vítor Madeira, professor catedrático de Coimbra.
"O sistema, não invasivo para as aves, é monitorizado, remotamente e em tempo real, para efectuar alterações nos parâmetros funcionais, caso sso seja necessário". Numa fase posterior, o equipamento irá funcionar automaticamente, através da detecção das aves por aproximação.
Projecto-piloto no Baixo Mondego
Esta tecnologia permitirá, à partida, desmotivar a cegonha branca de nidificar nos postes de apoio da rede da EDP, potenciando desta forma uma redução na taxa de mortalidade da espécie e o sucesso de nidificação em condição naturais de segurança.
O Stork já está em fase de experimentação no Baixo Mondego, desde o final do ano passado, e com resultados animadores. A tecnologia deverá ser aplicada em outras dez zonas do país até ao final do ano. A EDP não revela os locais exactos da operação, mas estes situam-se no centro e sul do país, uma vez que não há população de cegonhas a norte. O projecto tem um alcance de dois anos e deve atingir, segundo a EDP, o patamar de certificação em 2011.
