Comércio

Vinho à beira de novo recorde na exportação

Vinho à beira de novo recorde na exportação

Só até outubro, as vendas ao exterior já somaram 678 milhões de euros, um aumento de 4%. Fica mais próxima a meta dos mil milhões em 2022.

As exportações de vinho deverão bater um novo recorde no ano que hoje termina, e assim ficar mais próximo da meta da ViniPortugal de chegar aos mil milhões de euros de vinho exportado em 2022.

Até outubro, as exportações cresceram 4% para mais de 678 milhões de euros. São "números muito interessantes", comenta Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, organização interprofissional responsável pela gestão da marca Wine of Portugal, num ano que arrancou com uma série de incertezas em alguns dos principais mercados de destino dos vinhos portugueses, como o Brasil e Angola, a que vieram juntar-se as tensões comerciais entre os EUA e a Europa.

"Estamos muito próximos de atingir o objetivo de fechar o ano com mais um recorde", refere Jorge Monteiro, apesar de o crescimento "ter sido muito desigual" nos diferentes mercados. De entre os destinos mais relevantes para as exportações nacionais, destaque para o crescimento de 15% no Reino Unido, uma performance "surpreendente", mas que o presidente da ViniPortugal atribui a um provável "reforço dos stocks dos importadores para manterem a atividade estável durante o período transitório do Brexit".

China compra menos

A crescer "a uma taxa interessante", que ronda os 4,76%, está também o Canadá, mercado onde os vinhos tranquilos portugueses "já pesam mais do que os vinhos fortificados". Também os EUA estão com um "bom crescimento", na ordem dos 6,48%, segundo os últimos dados do INE. O Brasil, com um crescimento de 3,62%, fica aquém do desempenho que os exportadores gostariam de ter. "É um mercado errático", admite Jorge Monteiro.

Em queda está o mercado chinês, com os números do INE a mostrarem uma redução de quase 5% face a igual período do ano passado. O presidente da ViniPortugal acredita que este resultado se prende com questões de política económica interna, já que praticamente todos os grandes fornecedores de vinho para a China estão a perder terreno, com exceção da Austrália e do Chile.

Relevante é que o aumento das exportações é maior nos vinhos engarrafados do que a granel. "São os vinhos de menor valor que caem mais", sublinha Jorge Monteiro, que dá o exemplo do mercado alemão, um grande comprador de vinhos a granel nacionais, e que, este ano, baixa quase 50%, enquanto as importações de vinho engarrafado crescem 11%.

Registo histórico também nas vendas de cortiça

Mais modesto é o crescimento das exportações de cortiça, mas que, a manterem-se, permitirão fechar o ano também com novo recorde de vendas ao exterior. Nos primeiros dez meses do ano o setor corticeiro exportou mais de 911 milhões de euros, o que representa um acréscimo homólogo de 0,74%. O presidente da Associação Portuguesa de Cortiça fala num ano de "estabilidade" e num cenário de "crescimento moderado". O crescimento das exportações é maior em volume do que em valor.

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