Ferrovia

Alta velocidade obriga a nova ponte Porto-Gaia

Alta velocidade obriga a nova ponte Porto-Gaia

Nova linha Porto-Lisboa implica a terceira travessia ferroviária. Estação de Campanhã precisa de "apeadeiro" subterrâneo e Aeroporto Sá Carneiro será terminal ferroviário.

A nova linha Porto-Lisboa vai obrigar à construção de uma nova ponte ferroviária entre a Cidade Invicta e Vila Nova de Gaia. A Infraestruturas de Portugal (IP) confirmou ao JN/Dinheiro Vivo que a nova travessia será necessária para os comboios de alta velocidade pararem na cidade do Porto. A obra sobre carris também levará à ampliação da estação de Campanhã.

A IP solicitou um "estudo de opções para um novo atravessamento do rio Douro" ao laboratório Edgar Cardoso, segundo contrato publicado em 10 de janeiro no portal Base. Fonte oficial da empresa alega que será preciso construir uma nova travessia porque a atual ponte de São João "encontra-se no limite da sua capacidade" e não conseguirá "acomodar o serviço de alta velocidade".

Não é bem assim. O projeto da Ponte de São João previa um máximo de 400 circulações de comboios por dia. No ano passado, segundo a própria IP, houve uma média diária de 147 composições (mercadorias incluídas) a atravessar o Douro entre Porto e Gaia. É menos de metade da capacidade permitida.

No entanto, a nova travessia será necessária por motivos técnicos. No final da Ponte de São João, do lado de Gaia, não é possível inserir, totalmente em curva, uma nova linha de alta velocidade. Por causa disso, é obrigatória a terceira ponte ferroviária sobre o Douro.

Localizada entre a Ponte de São João e a Ponte rodoviária do Freixo, a nova travessia ferroviária dará acesso à Estação de Campanhã, passando sobre a praia fluvial do Areinho (em Gaia) e os terrenos da Mota-Engil (no Porto). A altura do tabuleiro será abaixo da cota da ponte de São João e acima da cota da ponte do Freixo, garantindo que a nova travessia ferroviária fica alinhada com a estação de Campanhã.

Acomodar os comboios de alta velocidade implica a ampliação da principal estação de comboios do Porto. A expansão de Campanhã, contudo, terá de ser subterrânea, por causa da construção do terminal intermodal rodoviário e do projeto de reconversão do antigo Matadouro em centro empresarial. Sob a plataforma, haverá uma estação abaixo do nível do solo com duas a quatro linhas, à semelhança do que acontece com a estação central de Berlim.

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Terminal Sá Carneiro

No Porto, a estação terminal da alta velocidade será no Aeroporto Sá Carneiro, que também terá espaço para acomodar as oficinas de manutenção dos comboios rápidos. A partir de Campanhã, a ligação será feita em túnel em direção a norte, curvando depois para Guifões até chegar ao aeroporto.

Para já, não há orçamento para a nova ponte ferroviária (e respetivos acessos), embora se saiba que ficará abaixo dos 500 milhões de euros referidos em novembro de 2020 num artigo do Público. Os custos, na altura, incluíam a hipótese de uma estação de alta velocidade em Gaia, o que está afastado.

Contactada pelo JN/DV, a Câmara de Gaia remeteu comentários para depois da apresentação dos estudos. O município do Porto não quis falar sobre o tema.

ESTUDOS

IP atualiza informações antes das obras

Além do estudo do laboratório do engenheiro que projetou a ponte de São João, a IP assinou no último ano vários contratos para atualizar os estudos prévios e de impacto ambiental de três dos lotes do projeto da nova linha Porto-Lisboa. Os relatórios originais contam com mais de uma década e foram elaborados na altura da empresa pública Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE), que acabou por ser extinta devido ao abandono do projeto por parte do Estado na década passada.

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