O presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, revelou esta segunda-feira que preferiu manter as posições na PT e na EDP e vender a participação no Banco Bradesco, por considerar que é "mais benéfico para o país".
Questionado pelos jornalistas durante a apresentação das contas trimestrais sobre se estaria em cima da mesa a alienação das posições do banco na operadora e na energética, Salgado disse que o BES "ainda resiste na PT e na EDP", apontando para a venda no Brasil.
"Temos resistido à venda da PT e da EDP porque são empresas nacionais e considerámos que é mais benéfico para o país a venda da posição que o BES tinha no banco brasileiro Bradesco", afirmou Salgado.
Porém, o banqueiro realçou que não pode garantir que não serão vendidas as participações nas duas empresas portuguesas já que ainda não sabe quais os níveis de exigências que virão a ser colocados aos bancos devido ao resgate internacional que está a ser negociado.
"Não posso garantir que vamos manter essas posições para sempre. Mas, por enquanto, vamos continuar a ser accionistas na PT e na EDP, com a intenção de prosseguir nessa situação", sublinhou.
No Brasil, Salgado revelou que foi aberto um concurso privado para a venda das acções do Bradesco e que a 'holding' Cidade de Deus, que controla o banco brasileiro, foi quem apresentou a melhor proposta entre os "três ou quatro interessados".
Apesar de ter vendido 4,1% da posição no Bradesco, o BES mantém 1% do capital do banco brasileiro.
"O Bradesco é um queridíssimo parceiro do BES e acredito que o relacionamento vai continuar. O Bradesco tem 6% do capital do BES e nós guardamos 1% do capital deles. É pouco, e por isso coloquei o meu lugar no conselho de administração do Bradesco à disposição", revelou Salgado.
O banqueiro recordou que, há cerca de um ano, na altura do negócio entre a PT e a Telefónica (venda da brasileira Vivo), tinha sido questionado pelos jornalistas se admitia vender a posição do BES na operadora de telecomunicações portuguesa, e que respondeu que "dependeria daquilo que viesse a ser considerado necessário para efeitos de Basileia III (novas regras para o sector bancário europeu, com destaque para as maiores exigências de capital e, no caso concreto, para o papel que têm as participações financeiras no balanço dos bancos)".
E reforçou que o BES "tem resistido à venda das participações na PT e na EDP, porque são empresas nacionais".
