A Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas reúne-se amanhã, quarta-feira, em Madrid, com congéneres espanholas, para analisar formas de luta contra o aumento dos combustíveis. Em 2008, os camionistas pararam três dias e o país também parou.
António Lóios, secretário geral da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP), que foi criada depois da greve dos camionistas de 2008, explicou à Agência Lusa que a reunião foi convocada por iniciativa da federação nacional das associações de transportadoras espanholas, que representa cerca de 18 organizações.
"O que nos une é o desconforto que, quer os transportadores portugueses, quer os espanhóis, sentem neste momento com a questão dos combustíveis", disse.
"Não faz sentido que em Portugal o gasóleo já esteja a 1,2 euros por litro quando o barril do petróleo está a 85 dólares (cerca de 60 euros). Não faz sentido que os governos, quer o espanhol quer o português, estejam a dar cobertura às empresas petrolíferas" para que estas ganhem "desmesuradamente com a venda dos produtos petrolíferos", acrescentou.
O secretário-geral da ANTP defendeu que os governos português e espanhol "têm de caminhar juntos e obrigarem as petrolíferas a serem honestas na forma como procedem na aplicação dos preços dos produtos petrolíferos".
Segundo António Lóios, quando "o preço do barril de petróleo aumenta, aumenta o preço dos combustíveis" e quando o preço do petróleo baixa, as petrolíferas não baixam o preço dos combustíveis porque dizem que aumentou o índice de procura dos produtos petrolíferos.
A ANTP está neste momento a negociar com o Governo português para obter respostas a um conjunto de reivindicações, de que fazem parte a contestação do aumento do preço dos combustíveis e à introdução de portagens nas SCUT (autoestradas sem custos para os utilizadores). "Vamos privilegiar até ao limite das nossas possibilidades todas as negociações com o Governo", disse António Lóios.
Em 2008, o país parou
Entre 09 e 11 de Junho de 2008, as principais estradas portuguesas ficaram bloqueadas por centenas de pesados de mercadorias, uns em piquetes de greve e outros impedidos de circular pelos colegas camionistas.
Também nessa altura o motivo de descontentamento foi o mesmo – o elevado preço dos combustíveis – e o primeiro-ministro disse sentir o "Estado vulnerável" perante o protesto sem precedentes.
Na sequência do bloqueio, os supermercados sentiram a falta de produtos, os postos de abastecimento ficaram vazios e até as forças de autoridade tiveram de racionar os combustíveis.
Os bombeiros limitaram as saídas às emergências, as autoridades foram chamadas a fazer protecção a caravanas de combustíveis de emergência, camiões foram apedrejados e incendiados um pouco por todo o país. Houve também a lamentar a morte de um camionista em Alcanena.
