
Os juros da dívida estavam, esta quinta-feira, pressionados em Espanha e França, alcançando níveis históricos a cinco e 10 anos, no dia em que ambos os países realizam emissões de dívida.
Os analistas consultados pelas agências internacionais consideram que esta nova pressão sobre os juros soberanos resulta das discrepâncias entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o papel que deve desempenhar o Banco Central Europeu (BCE).
França defende que o BCE deve ter um papel semelhante ao da Reserva Federal dos EUA (FED) e converter-se num credor ilimitados dos Estados.
Alemanha, pelo contrário, prefere limitar para já o papel do organismo e forçar à adopção de medidas de austeridade em países como Itália ou Espanha.
Pelas 09.45 horas, em França, os juros exigidos pelos investidores para comprar títulos soberanos a dois anos estavam nos 1,899% (face aos 1,852% de quinta-feira), enquanto o 'spread' face à dívida alemã (referencial para a Europa) se situava nos 153.9 pontos base.
Já na maturidade dos cinco anos, a taxa de juro praticada no mercado secundário francês subia dos 2,783% de quarta-feira para os 195,1%. O 'spread' neste prazo subia para os 195.1 pontos base.
Por sua vez, no prazo dos 10 anos, os juros alcançavam os 3,783% (face aos 3,711% de quarta-feira) com o 'spread' nos 202.7 pontos base.
Em Espanha, pela mesma hora, os juros batiam máximos também a dois anos, chegando aos 5,684% (face aos 5,403% de quarta-feira), com o 'spread' a avançar para os 532.1 pontos básicos.
Na maturidade a 5 anos, os juros da dívida subiam dos 5,764% para os 6,059% e o 'spread' subia para os 514.5 pontos básicos.
A 10 anos, os juros da dívida espanhola subiam dos 6,411% para os 6,733%, com o 'spread' a fixar-se nos 496.3 pontos base.
Em Portugal, por sua vez, os juros da dívida soberana aliviavam a 2 e 5 anos e subiam ligeiramente a 10 anos.
Na maturidade a dois anos, o 'spread' atingia os 1.676 pontos base, com os juros da dívida soberana a aliviar nos 17,124% (face aos 17,185% de quarta-feira).
A cinco anos, os juros desciam dos 13,621% para os 13,552%, com o 'spread' a fixar-se nos 1.264 pontos base.
Na maturidade a 10 anos, por sua vez, os juros da dívida portuguesa seguiam nos 11,297%, face aos 11,295% de quinta-feira, com o 'spread' nos 952.2 pontos base.
Na Grécia, os juros seguiam a aliviar dos máximos históricos de quarta-feira a 2 e 5 anos, mas estavam pressionados a 10 anos.
Em Itália, os juros da dívida soberana avançavam para máximos na maturidade a dois anos (para os 6,638%), com o 'spread' a chegar aos 626.6 pontos base, e seguiam pressionados a cinco e 10 anos.
