
Manifestação de Madrid
Juan Medina/Reuters
De Madrid a Atenas, a Europa, atingida pelo desemprego, manifestou-se, esta quarta-feira, no Dia do Trabalhador contra as políticas de austeridade e a favor de medidas pelo emprego, em desfiles pouco participados tendo em conta a amplitude da crise.
Milhares Na Grécia, como em Espanha, os dois países do sul do continente onde o desemprego bate todos os recordes, atingindo mais de 27 por cento da população ativa, vários milhares desfilaram respondendo ao apelo dos sindicatos.
"6.200.000 desempregados, não à austeridade", "Mais democracia, menos austeridade" exigiam alguns cartazes no cortejo que atravessou Madrid.
No total, foram organizadas em Espanha 82 manifestações, pelos sindicatos UGT e Comissiones Obreras, que apelaram ao governo para criar um "pacto nacional" para o emprego, quando o desemprego atinge o recorde histórico de 27,16 por cento e de 57,22 por cento na faixa etária dos 16 aos 24 anos.
Mesmo o papa Francisco apelou em Roma aos dirigentes políticos para fazerem o possível para criar empregos.
Em Atenas e em Salónica foram 13.000 a manifestar-se, segundo a polícia, quando a Grécia conhece o seu sexto ano consecutivo de recessão.
No centro de Itália, milhares de manifestantes concentraram-se na vila medieval de Perúgia, situada numa das regiões onde o desemprego mais cresceu, e na Polónia foram também alguns milhares os que assinalaram este Dia do Trabalhador.
Em França, num clima social onde a impaciência cresce face ao aumento do desemprego, os sindicatos, divididos quanto à reforma do mercado de trabalho, celebraram o 1.º de maio de forma desorganizada, o que, segundo a agência France Presse, talvez explique a mobilização de apenas cerca de 100 mil manifestantes em todo o país.
Em Istambul registaram-se incidentes entre polícias e manifestantes zangados por não se poderem aproximar da praça Taksim, local emblemático da cidade turca que está fechada devido a obras.
A Ásia deu antes o "sinal de partida" dos desfiles, também sob o signo dos esquecidos do crescimento, como no Bangladesh onde os operários do têxtil trabalham em condições muito precárias para as empresas ocidentais.
Dezenas de milhares de manifestantes pediram justiça em Daca, após a morte há uma semana de mais de 400 operários no desabamento de um edifício onde estavam instaladas fábricas têxteis.
