Mercadona vai mudar lojas e investir milhões com mais frescos e "self service"

Uma das mudanças mais significativas das lojas será o desaparecimento dos tradicionais balcões atendidos por funcionários
Foto: Fábio Poço / Arquivo
A Mercadona prepara-se para transformar novamente a sua rede de supermercados com o lançamento de um novo modelo comercial que deverá marcar a evolução das suas lojas durante a próxima década.
A empresa presidida por Juan Roig anunciou esta quarta-feira um investimento de 3700 milhões de euros até 2033 para renovar cerca de 1 600 lojas em Portugal e Espanha e implementar o conceito denominado "Tienda 9", que substituirá progressivamente o atual modelo de loja eficiente, conhecido como "Tienda 8".
Este novo formato pretende redefinir a experiência de compra nos supermercados da cadeia espanhola através de uma reorganização profunda dos espaços, de um maior peso dos produtos frescos e preparados e de um modelo baseado praticamente no "self-service". "A ideia é que todas as lojas sejam iguais", voltou a sublinhar Juan Roig ao apresentar esta nova fase de evolução do modelo.
A principal transformação da "Tienda 9" não se centra tanto no tamanho das lojas, mas sim na forma como os produtos são organizados dentro do espaço comercial. A Mercadona explica que o modelo evolui de uma loja organizada por áreas de negócio para uma gestão baseada em processos. Na prática, isto significa que os produtos passarão a ser agrupados de acordo com o tipo de conservação - temperatura ambiente, refrigeração ou congelação - e não apenas pela categoria de produto.
Por exemplo, os alimentos congelados ficarão concentrados na mesma zona, independentemente de se tratar de vegetais, peixe ou pratos preparados. Da mesma forma, todos os produtos refrigerados estarão agrupados num mesmo espaço. Segundo a empresa, esta reorganização permitirá uma compra mais rápida e intuitiva para os clientes.
Fim dos balcões de atendimento
Uma das mudanças mais significativas será o desaparecimento dos tradicionais balcões atendidos por funcionários. Secções como talho e peixaria deixarão de funcionar com atendimento direto ao público. Em vez disso, os produtos serão apresentados em bandejas já preparadas.
O objetivo, segundo a Mercadona, é aumentar a eficiência dos processos internos e tornar a experiência de compra mais ágil, mantendo ao mesmo tempo uma maior presença de produtos frescos. Juan Roig reconheceu que, historicamente, esta categoria foi um dos pontos mais fracos da empresa, mas garantiu que os produtos frescos ganharão maior destaque. Carne, peixe, fruta e legumes passarão a ocupar mais espaço nas lojas.
O crescimento do "pronto a comer"
A comida preparada continuará a ganhar importância nos supermercados da Mercadona. A cadeia pretende ampliar a área dedicada a esta secção, que juntamente com os pratos refrigerados já ultrapassa mil milhões de euros em vendas anuais. No último ano, esta categoria registou um crescimento de cerca de 20%.
Além disso, a empresa está a estudar a instalação de mais mesas e cadeiras dentro das lojas, permitindo que os clientes possam consumir ali mesmo os pratos preparados. Até agora, a secção de "pronto a comer" funcionava com atendimento por funcionários. Contudo, o novo modelo aposta num sistema de autosserviço, em que os clientes escolhem diretamente os pratos disponíveis.
Atualmente, esta área já está presente em 1469 lojas da Mercadona, e a sua instalação implica um investimento de entre 80 mil e 100 mil euros por estabelecimento.

