
Pires de Lima diz que críticas servem interesses do PS
Leonel de Castro/Global Imagens/Arquivo
O presidente do Conselho Nacional do CDS, António Pires de Lima, afirmou esta segunda-feira que as críticas ao ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, são "profundamente injustas" e alerta que "servem os interesses da oposição", sobretudo os do PS.
"Creio que as críticas, esta barreira de fogo que está a ser feita sobre a área da economia, servem os interesses da oposição e são particularmente injustas porque se há momento em que se começa a ver de facto um trabalho com algum peso e muito relevante na área da economia, é neste primeiro trimestre de 2012", disse Pires de Lima, em declarações à agência Lusa.
O dirigente do CDS apontou, a este propósito, que "nos últimos meses" o Governo conseguiu "vitórias importantes e absolutamente fundamentais para a transformação da economia", como o acordo da concertação social, o programa Revitaliza e a reafetação de fundos europeus para "apoio a projetos de empresas privadas".
Por outro lado, o presidente do Conselho Nacional considerou "artificial" um dos motivos que tem sido utilizado para sustentar as críticas ao ministro da Economia, a polémica sobre a gestão dos fundos do QREN, na qual o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já disse que o ministro das Finanças terá uma "palavra decisiva"
"Não é nenhuma novidade, já no passado em governos que antecederam este o que era normal era que os fundos de apoio à economia fossem acompanhados por uma coordenação governamental", disse, sublinhando que os apoios comunitários "misturam elementos financiados pelos QREN e complementados por créditos fiscais".
O presidente do Conselho Nacional do CDS considerou ainda perfeitamente "natural e compreensível" que, sendo o crescimento económico um objetivo de todos o país, "essa tarefa seja partilhada por todos os membros do governo, a começar pelo primeiro-ministro".
Lembrando que foi "uma das pessoas" que "há uns meses", quando se começou a debater o Orçamento do Estado para este ano e o Governo cumpria 100 dias, alertou para a "necessidade de a área da economia ter mais visibilidade" dentro do Executivo e de "o papel do ministro da Economia" dever "ser mais exigente", Pires de Lima insistiu em que, neste momento, vê "as críticas que estão a surgir relativamente ao ministro da Economia" como "completamente injustas e, se forem veiculadas por pessoas ligadas à maioria, até contraproducentes".
O presidente do Conselho Nacional do CDS ressalvou que, no entanto, parece que "basicamente neste momento o senhor ministro da Economia está sob a linha de fogo do Partido Socialista e da oposição".
"Há aqui uma demagogia, uma hipocrisia do PS nestas críticas que revelam aliás uma enorme falta de decoro porque quem nos trouxe até aqui, à necessidade deste processo de ajustamento financeiro, foram 13 anos de governação socialista", acrescentou.
Pires de Lima acusou ainda o secretário-geral do PS, António José Seguro, de "falta de memória histórica e de decoro quando diz que Portugal não tem ministro da Economia e não tem uma estratégia para a Economia".
"O PS, do qual o dr. António José Seguro foi deputado durante todos os últimos anos, é que é o responsável por Portugal estar a passar por este processo de ajustamento que agora estamos a viver", sublinhou, acrescentando que "o Partido Socialista, ao escolher como bode expiatório desta crise o ministro da Economia, está apenas a tentar iludir as suas próprias responsabilidades".
O dirigente democrata-cristão desafiou, por outro lado, o PS e o líder da oposição a ajudarem a encontrar soluções para o financiamento da economia, que considera o maior problema do setor: "Aí é que seria desejável que todos os partidos, a começar pelo PS e pelo líder da oposição ajudassem a encontrar caminhos".
Questionado sobre as recentes críticas do líder do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, aos ministros do CDS, Pires de Lima preferiu não se alongar em comentários.
"Não há tarefas fáceis neste governo e o líder do partido na Madeira já deu a resposta que entendia dar, não tenho nada a acrescentar. A única coisa que folgo é que esta coligação tem funcionado naquilo que é essencial de uma forma exemplar porque o país precisa bem que esta coligação se mantenha coesa", afirmou.
