
Portugal apresenta um pior desempenho que os parceiros europeus ao nível de uma política fiscal competitiva, mas progrediu ao nível da educação e formação, segundo um relatório que será divulgado, esta quarta-feira.
O "Relatório da Competitividade 2011: Carteira de Indicadores e Principais Tendências" será apresentado durante a iniciativa da Associação Industrial Portuguesa (AIP) -- CCI Dia da Competitividade.
O documento analisa diversas variáveis da economia portuguesa - nomeadamente, preços (gás e electricidade), fiscalidade, educação e formação, sociedade de informação -, a sua evolução e a comparação com países europeus.
Portugal "tem 12 indicadores em que está bem, 27 em que está mal e o mais grave é que destes 27 há 14 em que está a regredir", afirmou à Lusa o presidente da AIP, José Eduardo Carvalho.
Entre os indicadores de competitividade em que Portugal apresenta um desempenho acima da média da União Europeia (UE) estão, a título de exemplo, o consumo de energias renováveis, o nível de acesso à internet em banda larga das pequenas empresas (10 a 49 trabalhadores) e os preços da electricidade (sem taxas) a pequenos industriais.
Já no que respeita aos preços dos gás natural e da electricidade, às taxas implícitas de tributação no capital e à frequência de estudantes no ensino superior, Portugal tem apresentado um desempenho pior do que a média da UE.
"Sumariamente, o estudo aponta para três conclusões: estamos bem no que respeita à sociedade de informação e na investigação, desenvolvimento e inovação, estamos muito mal a nível da fiscalidade e ao nível da educação e formação nota-se uma evolução muito significativa, apesar de estarmos abaixo da média europeia", resumiu o presidente da AIP.
"Ao nível da educação, ainda continuamos na cauda da Europa em alguns critérios, nomeadamente no abandono escolar precoce", disse José Eduardo Carvalho, sublinhando, no entanto, que Portugal registou uma "evolução muito significativa de todos os indicadores nesta área", superando, em alguns casos, a média comunitária.
O presidente da AIP destacou ainda outra situação: "Estamos muito bem colocados na área da inovação e da investigação e desenvolvimento, mas quando o conhecimento é transferido para a inovação e para a economia os resultados são desastrosos. Toda a despesa pública que estamos a fazer em inovação e desenvolvimento acaba por não se fazer reflectir em benefícios para a economia e para a indústria".
No que respeita à fiscalidade, José Eduardo Carvalho disse perceber que "é difícil pôr uma política fiscal competitiva neste momento" e defendeu que depois da consolidação das contas públicas será necessário pensar neste assunto.
O relatório foi entregue no Ministério da Economia e o presidente da AIP mostra-se convicto de que servirá "para repensar políticas públicas e aplicar políticas que possam contrariar os aspectos mais negativos que estes indicadores apresentam".
