
O presidente executivo da Galp mostrou-se, esta segunda-feira, bastante crítico sobre a anunciada medida do Governo de obrigar as empresas a terem combustíveis de baixo preço nas estações de serviço. Não existe "nenhuma empresa do mundo do setor petrolífero que venda um produto que não seja a sua marca", sublinha.
"Só nos falta dizerem que queremos perder dinheiro voluntariamente neste setor", afirmou Manuel Ferreira de Oliveira num encontro com os jornalistas para apresentar as contas dos primeiro nove meses do ano da Galp Energia.
O responsável máximo da empresa considerou estranho que o Estado obrigue os agentes económicos a "gastar mais para vender mais barato", acrescentando que quando "um setor que não remunera o capital investido" tende a acabar.
O secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, afirmou a 17 de outubro que vai obrigar as bombas de combustível a terem um espaço com produtos de baixo custo, adiantando que o Governo não vai "impor preços às empresas", já que estas "serão livres de colocar o preço que entenderem", mas o que o Executivo quer "é que o consumidor possa escolher na bomba de combustível entre uma gasolina e gasóleo não aditivado e os outros produtos".
Perante esta medida, Manuel Ferreira de Oliveira referiu que ficaria "encantado" se o Governo regulasse o setor dos combustíveis assim como regula a eletricidade e o gás, isto porque seria "bom para a Galp", já que teria uma remuneração assegurada.
"Seria um retrocesso em termos económicos e de mercado", frisou o presidente executivo da Galp, adiantando que não existe "nenhuma empresa do mundo do setor petrolífero que venda um produto que não seja a sua marca".
Para Ferreira de Oliveira, "se há setor em que há transparência é o dos combustíveis" e não entende porque tal "preocupa o Governo".
Na altura, o secretário de Estado referiu à Lusa que esta medida "propõe que todas as bombas de uma determinada dimensão deem hipótese ao consumidor de escolher um combustível não aditivado", acrescentando esperar que o Orçamento do Estado para 2013 seja aprovado na Assembleia da República de forma a que o Governo "possa avançar com um decreto-lei".
