
Destaca-se o aumento de peso dos transportes no cabaz da inflação
Foto: Igor Martins
O Instituto Nacional de Estatística (INE) atualizou a estrutura do cabaz utilizado para calcular a inflação, com os restaurantes, transportes e lazer a ganhar maior peso e a eletricidade e gás natural a diminuir.
A estrutura de ponderação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) "tem subjacente o conceito de despesa monetária de consumo final das famílias", explica o INE no destaque divulgado hoje, tendo como principal referência os dados detalhados das Contas Nacionais Portuguesas, nomeadamente considerando as alterações de preços e de quantidades dos bens e serviços adquiridos pelas famílias.
O que pesa mais no cabaz de preços dos consumidores portugueses são a alimentação, a habitação, água, luz e combustíveis e também os transportes e a restauração e alojamento.
Neste ano que se inicia, os valores dos produtos incluídos no cabaz são atualizados, como habitual, sendo que, "em consequência do acesso a informação de base mais rica e atualizada, nomeadamente obtida a partir de fontes administrativas", o INE destaca as alterações na ponderação de alguns bens: cigarros, eletricidade, gás natural, medicamentos e especialidades farmacêuticas, automóveis novos, telecomunicações, jornais e periódicos, jogos e apostas, seguros e serviços financeiros.
Olhando para a comparação entre 2025 e 2026, destaca-se o aumento de peso dos restaurantes e serviços de alojamento no cabaz, que passaram de uma ponderação de 92,9 para 105,4 (de um total de 1000).
Entre as subidas mais acentuadas na ponderação, é de salientar também os transportes, que aumentaram de 150,5 para 151,3, bem como o lazer, recreação, desporto e cultura, que passou de 56,6 para 58,8.
Por outro lado, nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, que é a classe que pesa mais no cabaz, a ponderação diminuiu ligeiramente de 225,2 para 224, enquanto a classe que agrega as despesas na habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis também pesa menos, passando de 101,8 para 93,6.
De notar também a classe de informação e comunicação, cuja ponderação caiu de 33,8 para 30,8, sendo que o INE destacou as mudanças nas telecomunicações e também jornais e periódicos.
Entre as 13 classes do Consumo Individual por Objetivo incluídas no cabaz do IPC, cinco viram a ponderação aumentar e em oito o peso no índice de preços diminuiu.
Houve também uma alteração em algumas classificações, sendo que anteriormente o que era agregado na categoria de "bens e serviços diversos" passou a ser separado em "serviços financeiros e de seguros" e "serviços de higiene e cuidados pessoais, proteção social e bens e serviços diversos".
O INE informou ainda relativamente a mudanças no índice harmonizado de preços (IHPC), que permite comparações com outros países europeus, indicando que "a partir de janeiro de 2026, a cobertura do IHPC é alargada, passando a contemplar a categoria 09.4.7 (Jogos de azar), cujo índice já fazia parte da amostra do IPC".
"Deste modo, o IPC e o IHPC passam a ter a mesma cobertura no que respeita aos produtos incluídos, diferindo apenas no âmbito de cobertura populacional, o que origina uma estrutura de ponderação diferente entre os dois indicadores", sendo que esta "resulta da inclusão na estrutura do IHPC da despesa realizada pelos não residentes ("turistas"), parcela esta excluída do âmbito do IPC, podendo os dois indicadores apresentar, por este motivo, resultados não coincidentes".
