Stellantis regista prejuízo recorde de 22,3 mil milhões e suspende dividendos em 2026

Grupo Stellantis anunciou prejuízo recorde em 2025
Foto: Stellantis
A Stellantis fechou 2025 com um prejuízo líquido de 22,3 mil milhões de euros e decidiu suspender o pagamento de dividendos relativos a 2026, numa tentativa de reforçar o balanço após um ano marcado por elevados encargos extraordinários e pressão sobre a rentabilidade.
As receitas recuaram 2%, para 153,5 mil milhões de euros, num exercício impactado por imparidades, revisões no plano de produtos e ajustamentos estratégicos.
"Os nossos resultados anuais de 2025 refletem o custo de termos sobrestimado o ritmo da transição energética e a necessidade de redefinir o nosso negócio em torno da liberdade dos nossos clientes", afirmou o CEO, Antonio Filosa.
O resultado operacional ajustado foi negativo em 842 milhões de euros, com uma margem de -0,5%, enquanto os free cash flows industriais se situaram em -4,5 mil milhões de euros. Ainda assim, no segundo semestre registou-se um crescimento homólogo de 10% nas receitas, evidenciando sinais de recuperação operacional.
Nova ofensiva de produtos
O grupo, que integra marcas como a Peugeot, Citroën, Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, DS Automobiles, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati, Opel, Ram e Vauxhall, prepara uma nova ofensiva de produto. Em 2026, a expansão da gama visa ampliar a cobertura de mercado e explorar novas oportunidades de crescimento rentável.
Na América do Norte, o Jeep Cherokee e o Dodge Charger SIXPACK marcam o regresso aos segmentos de SUV médios e muscle cars com motor de combustão interna, devendo ganhar novo impulso com o lançamento, no final de 2025, das versões Ram 1500 HEMI V8 e Express. Na América do Sul, a Ram Dakota assume-se como modelo estratégico, enquanto na Europa Alargada o Citroën C5 Aircross BEV, o Jeep Compass BEV e o Fiat 500 Hybrid reforçam a oferta em diferentes tecnologias.
"Na segunda metade do ano, começámos a ver os primeiros sinais positivos de progresso", sublinhou Antonio Filosa, acrescentando que em 2026 a empresa continuará a "colmatar as lacunas de execução do passado para sustentar a nossa trajetória de crescimento rentável".
No final de 2025, a liquidez industrial disponível ascendia a 46 mil milhões de euros. Além da suspensão dos dividendos, o conselho de administração autorizou a emissão de até 5 mil milhões de euros em obrigações híbridas. A empresa antecipa uma melhoria progressiva das receitas, da margem operacional ajustada e da geração de caixa ao longo de 2026.
