
TAP aumenta operação 30% em outubro, mas não acrescenta serviço no Porto ou em Faro
LUSA
Números do segundo trimestre deste ano revelam perda de quota de mercado em todos os destinos nacionais, com exceção das ilhas.
A TAP perdeu quota de mercado no transporte de passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Na Invicta, já só um em cada vinte passageiros foi transportado pela companhia aérea nacional no segundo trimestre deste ano, divulgou ontem a Autoridade Nacional de Aviação Civil. O calendário da retoma da TAP para outubro, conhecido ontem, não contém qualquer aumento de oferta fora de Lisboa.
Entre 1 de abril e 30 de junho, a pandemia eliminou 91% do tráfego aéreo em Portugal e 97,5% dos passageiros. Em vez dos 15 milhões de passageiros registados no trimestre homólogo do ano passado, as companhias tiveram apenas 388 mil viajantes. Já eram poucos e a TAP perdeu-os para os principais concorrentes em todos os aeroportos do continente, incluindo no hub de Lisboa.
Na capital, a TAP transportou 56% dos passageiros no primeiro trimestre de 2020 e apenas 18% no segundo trimestre. Quem ficou com os passageiros? A Lufthansa aumentou a quota de 2 para 16%, a Air France passou de 1 para 10% e a KLM conquistou 9% de uma só vez.
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Algumas destas companhias foram também as que mais lucraram com o desinvestimento da TAP no Porto, onde a companhia nacional passou de 19% de quota para 5%. A Swiss foi a companhia que mais passageiros transportou no Porto nesta altura: 22%, inclusive ultrapassando a Ryanair, que passou de 36% para 19%. A Lufthansa conquistou 12% dos passageiros (tinha 3%), a Luxair outros 10% e a Air France 9% (nenhuma delas no top 10 no trimestre anterior).
Pouca estratégia
Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, vê nestes números a prova de que "a TAP tem um problema de gestão, quando diz que os voos do Porto ou de Faro são deficitários". Mas a ocupação dos aviões no aeroporto do Porto "anda próxima dos 70%", revelou Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, completando que, "em Lisboa, ainda está bastante abaixo, em cerca de 45 ou 46%".
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Em Faro, o cenário é ainda mais desolador: a TAP nem surge entre as dez maiores companhias a operar. "Diria que a TAP nunca foi uma companhia aérea com que o Algarve contasse", analisou António Pina, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, que deposita "(pouca) esperança" em mudanças mediante o aumento da participação do Estado na TAP. Para já, nada está à vista. O calendário da retoma de voos da TAP para outubro contempla mais ligações a destinos no Brasil, nos EUA e em África, mas não aumenta frequências ou rotas no Porto, em Faro, no Funchal ou em Ponta Delgada.
"A TAP tornou-se irrelevante", rematou Nuno Botelho. "A única estratégia foi injetar dinheiro numa companhia falida que não presta serviço ao país", lamentou.
