Os funcionários do Banco Privado Português querem comprar e viabilizar a instituição, uma intenção que já comunicaram ao Estado e à Privado Holding, dona do banco.
O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) comunicou na terça feira ao Ministério das Finanças, ao Banco de Portugal e à Privado Holding "a intenção do sindicato e dos trabalhadores de viabilizar o BPP por via de uma operação de 'Employees Buy-Out (EBO)'", disse a mesma fonte.
Em comunicado, o sindicato refere que a "proposta surge como forma de demonstrar o forte empenho do sindicato e dos trabalhadores na viabilização do banco e na manutenção dos postos de trabalho, assunto que nenhuma entidade até agora demonstrou ter efectiva vontade de resolver".
O sindicato pediu já, nas comunicações ao Estado, reuniões com carácter de urgência, para analisar a solução de compra pelos cerca de cem funcionários que, refere, está ainda "em base exploratória".
"Aguardamos assim o rápido agendamento de tais reuniões para que se possa encontrar uma solução que evite a falência de um banco em Portugal", acrescenta o comunicado.
Os trabalhadores que agora querem comprar o banco insistem no comunicado que têm sido "esquecidos por todos", com o sindicato a "lamentar", que, resolvido o problema dos clientes, "nenhuma autoridade tenha tido uma palavra ou atitude de reconhecimento do profissionalismo" dos trabalhadores, mesmo "sem receberem uma qualquer esperança de futuro".
O Banco de Portugal já notificou a Privado Holding da possível revogação da licença bancária do BPP, o primeiro passo para seguir com o processo de insolvência da instituição, uma solução que as agências internacionais de notação financeira já disseram que terá poucas consequências.
A existência do BPP está cada vez mais difícil, depois da constituição do Fundo Especial de Investimento (FEI) para pagar aos clientes dos produtos de retorno absoluto, uma vez que, com o fundo a ser gerido por outras entidades, o BPP fica sem património sob gestão.
