
Fátima Elhenshiri ensina Árabe a uma turma de dez alunos
Henriques da Cunha/Global Imagens
O Speak Social, dinamizado em Leiria pela Associação Fazer Avançar (AFA), assegura aulas grátis de uma dezena de idiomas e, em pouco mais de um ano, já ensinou línguas e culturas a mais de 800 alunos.
É um dos primeiros negócios sociais do país, está a crescer de ano para ano, e em breve poderá estender-se a outras cidades do território nacional. O segredo do Speak Social está no voluntariado.
Quarta-feira, 21.30 horas. Na pequena sala do Centro Cívico de Leiria, povoada de fotografias e frases de Eça de Queirós, revê-se o alfabeto árabe. Com a cabeça coberta pelo típico lenço muçulmano, Fátima Elhenshiri, 45 anos, nascida no Egito mas criada na Líbia, explica como se conjugam as vogais curtas e longas, a uma turma de 10 alunos. A professora voluntária, auxiliada pelo marido, da Guiné-Bissau, transborda entusiasmo. Ensina o idioma, revela pormenores da cultura e aproveita para aperfeiçoar o seu Português.
Esta partilha de conhecimentos entre docentes e alunos é um dos pontos fulcrais da iniciativa, premiada já a nível internacional. "Com o atrativo das línguas, o Speak Social consegue quebrar barreiras sociais e criar amizades entre formadores e formandos, contribuindo para a verdadeira integração social", explica Eduardo Amorim, coordenador do projeto.
O conceito inovador surgiu em fevereiro de 2012, fruto de uma experiência-piloto, que contemplava apenas a dimensão de intercâmbio cultural e linguístico. Com o aumento da procura e a necessidade de tornar o serviço autossustentável, a AFA decidiu criar também o Speak Pro, que é pago, mas oferece um nível de ensino mais avançado e ajuda a suportar os custos da versão social.
Neste semestre, o Speak Social é frequentado por 140 alunos, com idades entre os 18 e 83 anos, distribuídos por turmas inscritas em 10 idiomas - Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Mandarim, Polaco, Português e Russo. As aulas, com duração de uma hora, decorrem uma vez por semana, em horário pós-laboral. Os estudantes apenas pagam uma joia de inscrição de oito euros, para os responsabilizar.
