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Bancos sobem comissões no crédito à habitação

Bancos sobem comissões no crédito à habitação

Várias instituições agravaram pagamentos de serviços relacionados com os empréstimos para compra de casa, incluindo para processar prestações.

O aumento da procura de crédito à habitação aguçou o apetite dos bancos por subir as comissões em serviços relacionados com financiamento da compra de casa. Os bancos tentam aproveitar o boom no crédito para obter mais receita e compensar a seca trazida pelas baixas taxas de juro, que penalizam os lucros.

Uma análise da ComparaJá.pt, em que foram comparados os preçários dos bancos entre dezembro de 2019 e este mês de fevereiro, concluiu que foram cinco os bancos que agravaram as suas comissões em serviços relacionados com o crédito à habitação.

No Crédito Agrícola (CA), foram agravadas várias comissões relacionadas com o crédito à habitação. A comissão de análise de dossiê subiu 30 euros e custa agora 270 euros. A abertura de dossiê passou a custar 175 euros, mais 25 euros. A avaliação custa agora mais dez euros do que em dezembro. Ao todo, saem do bolso do cliente mais 65 euros, a que acrescem 4% de imposto do selo. Ainda no CA, a polémica comissão de gestão da prestação do crédito à habitação custa agora 33 euros por ano. São 2,75 euros cobrados mensalmente, sendo cobrados mais 0,25 euros do que antes.

Também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) passou a cobrar 2,75 euros por mês para processar a prestação do crédito à habitação. Ou seja, o cliente paga ao banco por este lhe cobrar a prestação do empréstimo.

Compensar taxas baixas

Para os analistas, o aumento de comissões bancárias não surpreende. "Como consequência de um cenário de taxas de juro muito baixas, em que os bancos têm de lutar de várias formas para serem sustentáveis, estes têm vindo a subir as comissões nos últimos anos", disse José Figueiredo, presidente executivo do ComparaJá.pt.

No Banco BPI, a comissão de dossiê no crédito à habitação subiu cinco euros para 290 euros. A preparação de minutas de escritura também custa agora mais cinco euros, sendo cobrado ao cliente 190 euros.

No Bankinter, cada vistoria no crédito à habitação aumentou 25 euros, para 150 euros. Por norma, são feitas quatro vistorias por empréstimo, pelo que os clientes do terão de pagar 600 euros, mais cem euros do em dezembro.

No Banco Best, uma declaração de dívida no crédito à habitação e uma declaração de encargo com prestações custa mais dez euros (cada uma sai a 60 euros).

Há outras comissões a subir. José Figueiredo aponta que "se começaram a cobrar comissões por serviços inovadores, como o MB Way e Revolut, abrindo-se uma caixa de Pandora. A expectativa é a de que mais bancos irão fazer o mesmo".

Crédito pessoal e automóvel

A comissão de abertura do Crédito Imediato BPI custa agora 2,3% do valor do empréstimo, para contratos acima de 37 meses. Antes custava 1,75%. No crédito automóvel, o Crédito Agrícola subiu em 0,25 euros por mês a comissão do processamento da prestação.

MB Way e Revolut

Na CGD, cada transferência MB Way subiu de 0,2 para 0,85 euros. A CGD e o BPI cobram por transferências para a Revolut.

Cheques, cadernetas, contas e cartões

O EuroBic cobra agora pelo cartão de crédito EuroBic Soft. Na CGD, atualizar a caderneta ao balcão custa o dobro: dois euros. E os cheques custam agora mais em alguns bancos.