Solidariedade

Centro de emprego paga 1420 bolsas de emergência em IPSS

Centro de emprego paga 1420 bolsas de emergência em IPSS

Programa já aprovou contratações para 275 instituições. Há mais 75 pedidos para 386 trabalhadores em tramitação. Encontrar pessoas com perfil certo é o mais difícil.

Cruz Vermelha de Matosinhos, Santa Casa do Porto, Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual (ALADI) e Associação Reformados e Idosos da Freguesia da Amora (ARIFA) estão a contratar trabalhadores, financiados por um programa de emergência do Ministério do Trabalho. Durante até três meses, os centros de emprego pagarão 90% da bolsa dos 1420 trabalhadores já aprovados pelo Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e Saúde.

Em Matosinhos, foi com "angústia" que Patrícia Faro soube que duas pessoas iam entrar em isolamento social. "Há serviços que não podem parar", diz a presidente da Cruz Vermelha. No caso, uma casa-abrigo para vítimas de violência doméstica e o serviço de apoio domiciliário a idosos. "No dia em que enviámos o formulário, recebemos quatro chamadas", disse.

Esta quarta-feira, começou a trabalhar a primeira contratada, uma psicóloga, na casa-abrigo. Para o apoio a idosos, a Cruz Vermelha ainda aguarda candidatos. "Há muito alarmismo em torno dos lares, admito que as pessoas tenham medo", justifica.

O programa do Ministério da Segurança Social entrou em vigor a 1 de abril e, até sexta-feira, tinha aprovado 275 candidaturas, para contratar 1420 pessoas, com um custo de 890 mil euros. Ainda em tramitação estavam 75 pedidos, para contratar 386 trabalhadores, indicou o ministério.

Os centros de emprego estão a procurar nas bases de dados inscritos com perfil ajustado às necessidades, disse Patrícia Faro. Mas assegura que também ela poderia indicar alguém.

Em Lavra, a ALADI tem dois lares residenciais onde 40% dos funcionários estão de baixa, acompanhamento aos filhos ou quarentena. Para mais, usa um sistema de rotatividade, em espelho: 25 trabalham sete dias enquanto os outros 25 descansam, diz Ricardo Rodrigues, assessor da Direção. A associação espera contratar 37 pessoas e esta quarta-feira recebeu as primeiras candidaturas.

Auxiliares e operacionais

Fernando Sousa, presidente da ARIFA, confirma. "O problema é encontrar as pessoas com perfil certo". A associação tem um lar, cuidados continuados, creche, centro de dia e de convívio. "Temos 125 funcionários e candidatamo-nos a receber dez pessoas", disse. Esta semana, quatro começaram o processo de admissão. Precisa sobretudo de auxiliares e operacionais e Fernando Sousa confirma também não ser fácil encontrar pessoas com o perfil certo.

Tem sido esta a desvantagem dos programas de voluntariado já criados: "boa vontade não chega, é precisa vocação e saber", diz Patrícia Faro. Por isso, como noticiou o JN na semana passada, muitas instituições estão a recusar voluntários. A Santa Casa de Misericórdia do Porto mantém hoje os voluntários que tinha antes da Covid-19. Fonte oficial confirmou que se candidatou ao programa e que os centros de emprego selecionaram os candidatos.

Desempregados ou em lay-off

Pode ser contratado ao abrigo deste programa quem estiver desempregado (inscrito ou não no centro de emprego), em lay-off total ou parcial, seja trabalhador em part-time ou estudante com mais de 18 anos.

Quem não pode aderir ao programa

Os grupos de risco foram excluídos: pessoas com mais de 60 anos ou imunodeprimidas, doentes crónicos ou quem tenha trabalhado na instituição no mês anterior.

Trabalhadores ganham até 658,22€

Os desempregados podem acumular o subsídio de desemprego com uma bolsa de 438,81€; se não receberem subsídio, a bolsa sobe para 658,22€. Todos têm direito a subsídio de alimentação, transporte, seguro e equipamentos de proteção individual.

Recusar trabalho não corta subsídio

Ao contrário do chamado trabalho socialmente útil, neste caso, o subsídio de desemprego não é cortado, se a pessoa recusar a proposta.

Prazo de um mês prorrogável

Os projetos duram um mês, mas podem ser renovados até três meses.