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Corrida ao subsídio de desemprego atinge recorde de 15 anos

Corrida ao subsídio de desemprego atinge recorde de 15 anos

Inscritos 48 mil beneficiários entre abril e junho, valor mais alto em 15 anos. Faro e Viana são os distritos mais atingidos.

Os centros do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) registaram, no segundo trimestre (período de confinamento), mais 47 886 beneficiários de prestações de desemprego, naquele que é o segundo maior aumento trimestral (face aos primeiros três meses do ano) das séries oficiais que remontam ao início de 2000. A maior subida ocorreu há 15 anos. Faro e Viana do Castelo foram os distritos onde, em junho, ocorreram as maiores subidas no número de beneficiários do subsídio.

O agravamento do desemprego ainda não aparece nos dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao segundo trimestre, mas o Ministério do Trabalho e da Segurança Social (MTSSS) mostra de forma inequívoca a brutal degradação que está em curso no mercado de trabalho.

Confinamento

Cálculos do JN/Dinheiro Vivo a partir das séries históricas do MTSSS com o número de beneficiários de subsídios de desemprego e outros apoios para a mesma situação provam que houve uma corrida desenfreada aos centros de emprego entre abril e junho, período que inclui boa parte do tempo do confinamento severo.

O distrito mais afetado é Faro, onde o número de pessoas apoiadas com prestações de desemprego triplicou (subida de 200% no final de junho face a igual período de 2019), reflexo direto do colapso e da interrupção no turismo. A segunda região mais afetada, que tal como Faro depende muito do turismo, é Viana do Castelo, onde o aumento ultrapassa 82%. O aumento médio nacional ronda os 38%.

A maior subida no universo de pessoas apoiadas aconteceu no terceiro trimestre de 2005 (mais 55,5 mil casos) quando as regras de acesso aos subsídios ainda eram muito generosas, tendo o Governo de Sócrates anunciado nessa altura que iria apertar os critérios.

Os serviços da Segurança Social também informam que no final de junho havia 221,7 mil pessoas a receber subsídios de desemprego.

O valor pode parecer relativamente baixo em termos históricos (Portugal chegou a ter mais de 419 mil beneficiários de subsídio de desemprego no início de 2013, quando estava a ser aplicado o programa de austeridade do Governo PSD-CDS e da troika), mas o aumento homólogo do segundo trimestre deste ano é também ele enorme, o segundo mais agressivo nestes registos.

Em termos trimestrais, os jovens são claramente os mais penalizados pelo desemprego. Metade (50,2%) do aumento no número de beneficiários desempregados está concentrado nas idades dos 20 aos 34 anos.

Números oficiais

Estes indicadores do mercado de trabalho português evidenciam algo que as estatísticas oficiais ainda não conseguem captar: o aumento do desemprego está a ser galopante. Na semana passada, o INE revelou que, de acordo com a definição oficial, o desemprego desceu de forma significativa no segundo trimestre.

Acontece que durante os meses do grande confinamento houve como que uma "camuflagem" do desemprego, já que muitos dos desempregados ficaram impedidos de procurar trabalho durante o segundo trimestre, fruto do dever de recolhimento, dos limites à mobilidade, do encerramento obrigatório de muitas atividades e do fecho definitivo de empresas, que entretanto faliram.

Consultora EY

A consultora EY estima que, caso haja uma segunda vaga da pandemia de covid-19 em Portugal, a taxa de desemprego no país possa atingir os 17,6% no final do ano. A OCDE apontou para 11,1% em 2020.

Banco de Portugal

O Banco de Portugal prevê que a taxa de desemprego seja de 10,1% em 2020, diminuindo para 8,9% em 2021.

Governo

Para este ano, o Governo aponta para uma taxa de desemprego de 9,6%, recuperando ligeiramente em 2021, fixando-se então em 8,7%.

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