
Há cada vez mais marcas portuguesas a apostar no vinho em lata, como forma de chegar a clientes mais jovens e novas ocasiões de consumo, designadamente ao ar livre, onde as garrafas de vidro são proibidas.
Em mercados como o americano ou o brasileiro, abrir uma lata de vinho é um gesto habitual, sobretudo entre o público mais jovem, ou no consumo ao ar livre. Em Portugal, um mercado mais conservador no que ao vinho diz respeito, a inovação ainda causa estranheza a muitos, mas há cada vez mais marcas a apostar neste segmento de produto que vale, segundo dados de 2019, mais de 70 milhões de dólares (cerca de 60 milhões de euros) em todo o mundo. Os dados são da consultora Grande View Research, que antecipa um "crescimento significativo" nos próximos anos.
Pelo menos desde julho de 2016, quando a PositiveWine, da Bairrada, colocou no mercado o Flutt, o primeiro vinho espumante nacional em lata, que as empresas portuguesas olham com curiosidade para este segmento. Mas só com o anúncio, há duas semanas, do lançamento de Gatão e Gazela neste novo formato, é que a maioria dos consumidores portugueses se deu conta deste novo produto. E há muitos produtores que já lançaram ou estão para lançar as suas marcas em lata, à conquista dos millenials e das oportunidades de consumo que a simplicidade da abertura de uma lata acarreta.
O Gatão chegou ao mercado há duas semanas e Gil Frias, diretor comercial do grupo JMV, que detém os Vinhos Borges, fala numa recetividade "muito acima" do esperado num mercado "convencional e ortodoxo" como o português. Segue-se, a partir de abril, a chegada aos cerca de 70 mercados em que a marca está presente, mas com uma aposta especial no continente americano, na Europa central e do norte, bem como na zona do Mediterrâneo e na Península Ibérica.
Sendo difícil antecipar vendas de um produto completamente novo, sobretudo quando a marca ainda não arrancou com as campanhas de promoção, Gil Frias admite, no entanto, que as expectativas apontam para três milhões de latas nos primeiros doze meses.
