Insolvência

Empresário falido Diogo Vaz Guedes vai viver com três salários mínimos

Empresário falido Diogo Vaz Guedes vai viver com três salários mínimos

Ganhou notoriedade na Somague, um gigante do betão, e apostou forte num negócio hoteleiro que se afundou. Depois da insolvência, segue-se agora a falência de Diogo Vaz Guedes, o gestor caído em desgraça.

Diogo Vaz Guedes, antigo presidente executivo da poderosa construtora Somague e ex-sócio de António Mexia (atual CEO da EDP) no projeto hoteleiro Aquapura, vai viver nos próximos cinco anos com os seus rendimentos controlados por um administrador judicial.

O empresário foi declarado insolvente e agora o seu vencimento ficará indexado ao salário mínimo. Assim, no máximo, Vaz Guedes poderá auferir até três ordenados mínimos, o que dará um acumulado de 1800 euros por mês. Passados esses cinco anos, o empresário terá um perdão total das dívidas, que ascendem a 67 milhões de euros, no seu processo de insolvência.

O despacho inicial do incidente de exoneração de passivo do empresário foi publicado esta segunda-feira, 9 de dezembro, no portal Citius e divulgado pelo semanário "Expresso".

Esse despacho que limita os vencimentos de Diogo Vaz Guedes estará em ação efetiva até ao final do ano de 2024. Até aí, o devedor é obrigado a entregar a um fiduciário tudo o que ganhar acima do valor de três salários mínimos nacionais - esse será o montante considerado necessário para o sustento digno do devedor e dos elementos do seu agregado familiar.

Não pode recusar empregos

"Este processo está encerrado": foi este o único comentário público feito por Vaz Guedes, que adiantou ainda estar a residir fora de Portugal, apesar de o despacho reconhecer como endereço oficial do empresário um dos condomínios mais exclusivos do país, justamente a Quinta Patiño, situada em Cascais.

Para ter direito ao perdão total da sua dívida, Vaz Guedes terá que cumprir várias obrigações. A mais importante é "não ocultar ou dissimular quaisquer rendimentos que aufira, por qualquer título", ficando também coagido a "informar o tribunal e o fiduciário sobre os seus rendimentos e património", sendo ainda obrigado a informar as autoridades sempre que mude de morada ou de emprego.

Ao empresário agora caído em desgraça foi imposto "exercer uma profissão remunerada, não a abandonando sem motivo legítimo, e a procurar diligentemente tal profissão quando desempregado, não recusando desrazoavelmente algum emprego para que seja apto".

Desde 2017, quando a banca forçou a sua insolvência pessoal, que o empresário estará a trabalhar fora de Portugal, nomeadamente em Moçambique, na empresa de projetos energéticos Kuikila Investments

67 milhões de dívidas a bancos

O processo de falência de Diogo Vaz Guedes começou em 2017 no Tribunal da Comarca de Lisboa-Oeste e em 2018 foi declarada a insolvência do empresário a quem várias entidades bancárias tentam cobrar há anos 67 milhões de euros.

Essa verba faz parte das garantias pessoais que Vaz Guedes havia dado no âmbito de financiamentos de pelo menos duas empresas de que era dono, a Gespura e a Stravaganza, e que não pode agora reaver.

Entre os seus maiores credores estão quatro entidades bancárias: BCP, Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos e Haitong Bank.

O seu património declarado resumir-se-á nesta altura a dois bens: a vivenda familiar na Quinta Patiño e um carro.

Barão do betão

Licenciado em gestão pela Universidade Católica, Diogo Vaz Guedes, agora com 53 anos, teve na Logoplaste o seu primeiro emprego, como diretor financeiro.

Com Alexandre Relvas e Filipe de Botton criou a Interfinanças, mas foi na empresa familiar, a Somague, construtora fundada por um tio seu no século passado, que assumiu destaque como presidente executivo daquela que foi uma das maiores construtoras nacionais.

Gigante do betão, a Somague surge ao longo de várias décadas ligada a grandes obras portuguesas, como Ponte Vasco da Gama e a Gare do Oriente (ambas em 1998), a Barragem do Alqueva (2002), os estádios da Luz, Dragão, Bessa XXI e Estádio do Algarve (todos em 2003), Várias linhas e estações do Metro do Porto (2003 - 2004), a Casa da Música (2005) ou a Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima (2007)

A Somague viria a ser vendida aos espanhóis da Sacyr em 2003, mas Vaz Guedes permaneceu na empresa até 2007. Entretanto, cria a Gespura e o seu objetivo era constituir um grupo empresarial de referência, de base portuguesa, em Portugal, para operar internacionalmente, com investimentos no imobiliário, no ambiente e na energia.

Experiência falhada no turismo

A sua entrada no turismo deu-se em 2007, em parceria com Miguel Simões de Almeida, e António Mexia, que era já então presidente executivo da EDP, através do Aquapura Hotels Villas & Spa.

O objetivo era abrir sete empreendimentos até 2010, num investimento de 180 milhões numa rede de hotéis de luxo. Mas o projeto terminou com a declaração de insolvência da Aquapura Hotels Villas & Spa, em fevereiro de 2016, e dívidas acumuladas de 46 milhões de euros. Pelo meio vendeu o Aquapura Douro Valley ao Fundo Discovery.

Diogo Vaz Guedes, que foi ainda presidente da Privado Holding, a dona do Banco Privado Português, que já faliu, assumiu outro protagonismo no espaço público português em 2004, quando se assumiu como um dos rostos de apoio ao movimento Compromisso Portugal. Era uma proposta de um novo modelo de desenvolvimento económico do país pelo qual também deram a cara Mexia, Botton, Relvas e António Carrapatoso.

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