Investimento

Estrangeiros seguram mercado imobiliário na pandemia

Estrangeiros seguram mercado imobiliário na pandemia

Mercado imobiliário aguenta-se, sobretudo devido aos investidores não residentes. Recessão de 2020 deve ser a mais violenta desde 1928, ou pior, e turismo afundará 60%.

Se não fossem os estrangeiros, a venda de casas teria caído de forma acentuada durante a pandemia, diz o Banco de Portugal (BdP). Aliás, em maio, já houve sinais de revitalização do mercado. Ainda assim, o novo investimento em termos globais deverá cair cerca de 11% este ano, naquele que será o pior registo desde a crise do tempo da troika (2012). A construção e o imobiliário estão a resistir à hecatombe provocada pela covid-19.

Segundo o Boletim Económico ontem publicado, o impacto negativo sobre a compra de habitação deverá ser "relativamente limitado, num contexto de manutenção de condições de financiamento favoráveis e de alguma atratividade deste tipo de ativo como aplicação de poupança e na procura por não residentes [estrangeiros]". No ano passado, os investidores internacionais foram responsáveis por 78% do montante aplicado em imóveis, segundo a consultora Cushman & Wakefield.

Além disso, o investimento em obras "parece ter mantido algum dinamismo", "as vendas de cimento aumentaram cerca de 7% em março e mais de 10% em abril, sugerindo que as obras em curso terão prosseguido".

Economia recua 9,5%

A recessão da economia portuguesa, este ano, será a mais violenta desde 1928 (ou pior até), arrastada por todas as partes da procura, mas sobretudo pelo turismo, que entrou em "colapso" total, diz também o Banco de Portugal.

A entidade ainda governada por Carlos Costa, que a partir de julho deverá ter o ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, no comando, é agora a instituição mais pessimista quanto ao impacto da crise da covid-19 na atividade económica do país: projeta uma recessão de 9,5% em 2020, mas uma retoma um pouco mais rápida que a prevista em março, embora a economia não recupere totalmente nem daqui a dois anos e meio.

Num cenário mais adverso, em que há uma "segunda vaga" de infeções pelo coronavírus e as consequentes medidas de confinamento, a economia pode afundar uns impressionantes 13% ou mais, calcula o BdP.

O calcanhar de Aquiles da economia, que dantes era o maná do crescimento, é o turismo, refere o BdP. "Dado o peso relativamente elevado do turismo nas exportações totais por comparação com outros países, Portugal encontra-se particularmente exposto, projetando-se uma queda desta componente das exportações de mais de 60% em 2020". O BdP fala mesmo em "colapso da atividade turística".

Carlos Costa deixou ainda um elogio às medidas "que visam preservar o emprego" tomadas pelo Governo de António Costa. No caso em apreço, a medida de proa é o lay-off simplificado, que implica redução de salários em cerca de um terço e de tempo de trabalho. Atualmente, afeta cerca de 850 mil trabalhadores. O BdP diz que "o impacto da crise sobre o mercado de trabalho tenderá a ser atenuado ou desfasado pela existência de políticas que visam preservar o emprego e a liquidez das empresas".

Venda de imóveis recupera com desconfinamento

A venda de casas em Portugal aumentou 23% em maio, face ao mês anterior, depois de uma queda de 53% em abril, de acordo com a Confidencial Imobiliário. Também os preços da habitação subiram 0,9% em maio, face a abril, mas, em termos homólogos, o preço de venda começa a apresentar uma "clara desaceleração", resultado da estagnação dos meses de fevereiro, março e abril. De facto, um inquérito da associação do imobiliário APEMIP, relativo a maio, releva que cerca de 80% das imobiliárias sofreram uma quebra nas vendas face ao ano passado, mas sem grande ou nenhuma variação de preços.

Desemprego igual

Há três meses, no cenário feito pelo BdP, a taxa de desemprego projetada para 2020 era de 10,1%, isto com uma recessão económica prevista que na altura era de -3,7%. Agora, com a economia a cair muito mais do dobro (-9,5%), a taxa de desemprego mantêm-se igual: 10,1%.

Investimento

O investimento público deve ter "um crescimento superior ao do PIB ao longo de todo o horizonte de projeção", até 2022, estimam os economistas do BdP, explicando que essa evolução ocorrerá porque o país vai beneficiar "do aumento de recebimentos de fundos europeus associado ao fim do atual período de programação, em particular em 2020-21".

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