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Gomes da Silva sai da presidência da Galp por pressão de Paula Amorim

Gomes da Silva sai da presidência da Galp por pressão de Paula Amorim

O presidente-executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, apresentou esta terça-feira a sua renúncia ao cargo, uma decisão que foi comunicada pela empresa à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A Galp refere que a renúncia "foi oportunamente consensualizada" entre Gomes da Silva e a presidente do conselho de administração, Paula Amorim.

No entanto, o JN apurou que gestor sai da petrolífera a meio do seu segundo mandato por decisão de Paula Amorim, dona da Amorim Energia e principal acionista da Galp.

Fontes contactadas pelo jornal referem que Paula Amorim, que detém 33,34% da empresa, considerou que gestor não acelerou nem preparou a empresa como devia para a transição energética.

Para o lugar de Gomes da Silva, segundo o comunicado na CMVM, o conselho de administração decidiu cooptar Andy Brown, a tornar-se efetiva a partir de 19 de fevereiro. O gestor foi escolhido pelos acionistas por ter, segundo apurou o JN, experiência internacional e "uma visão mais global de mercado, tendo em vista uma maior dinâmica na transição energética". Andy Brown tem mais de 35 anos de experiência no setor da energia, ocupando várias funções de gestão na gigante petrolífera Shell.

Gomes da Silva era presidente-executivo e vice-presidente do conselho de administração desde 2015 quando substituiu Manuel Ferreira de Oliveira, o gestor histórico da Galp com ligações muito próximas a Américo Amorim, ambos já falecidos. O CEO da Galp esteve na empresa durante 14 anos exercendo sempre funções na área executiva.

Esta decisão surge no dia em que a Savannah Resources, empresa de exploração de lítio, anunciou um acordo com a Galp para as minas de lítio do Barroso, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real. A Galp vai pagar 6,4 milhões de dólares (5,2 milhões de euros) por uma percentagem de 10% neste projeto. Segundo o comunicado, a petrolífera vai "acrescentar valor material através da sua participação na gestão do projeto e a transferência da sua experiência significativa no desenvolvimento de projetos de grande escala em Portugal".

A mudança na administração da Galp está também intimamente ligada à decisão da petrolífera de desativar a refinaria de Matosinhos para a substituir por uma refinaria de lítio, segundo várias fontes próximas da empresa terem já confirmado estarem a estudar essa hipótese.

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