
Rui Manuel Fonseca/Global Imagens
Os vários hotéis do Porto que submeteram há um mês ofertas de emprego na plataforma digital governamental "Portugal for Ukraine" para apoiar refugiados da guerra na Ucrânia ainda não receberam qualquer candidato, mas estão a receber ofertas diretas.
Teresa Martins, diretora-geral do M.Ou.Co. Hotel, no zona do Bonfim do Porto, disse hoje à Lusa que a 11 de março submeteu na plataforma digital duas ofertas de emprego, mas apenas recebeu uma comunicação do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) a indicar que o processo estava em curso.
"Estamos a aguardar contactos de refugiados que querem começar já a trabalhar para fazermos entrevistas. Temos quatro vagas para preencher e temos recebido pedidos diretos de pessoas que conhecem algum refugiado que precisa de trabalhar", contou Teresa Martins, considerando que o processo de adaptação dos refugiados é especial e pode durar bastante tempo.
Questionada pela Lusa sobre o desenvolvimento do processo da candidatura de ofertas de emprego na plataforma "Portugal for Ukraine" feito em março transato, Joana Almeida, diretora do Hotel Sheraton do Porto, explica que também ainda não recebeu candidatos, mas adianta que tem recebido propostas de trabalho informais.
O Sheraton recebeu, recentemente, três pedidos informais de refugiados ucranianos para trabalhar naquela unidade hoteleira através de pessoas ligadas a associações de apoio aos refugiados ucranianos.
Os três candidatos ucranianos eram qualificados em "contabilidade e turismo", com idades compreendidas entre os "35 e 45 anos", mas não ficaram para já com as ofertas de trabalho disponíveis, por causa da "barreira linguística, pois não sabiam nem o português, nem o idioma inglês", explicou.
Como estão a ter aulas de português, ficou a promessa de trabalho quando soubessem falar um pouco de português, explicou Joana Almeida.
"Em contexto de trabalho tem de haver uma comunicação básica. Não sabiam falar inglês, nem português e para trabalhar em equipa ou mesmo para receberem formação é preciso", disse.
O grupo hoteleiro Bessa Hotel também submeteu na plataforma digital de apoio aos refugiados "seis vagas de emprego", designadamente para a área de 'housekeeping' e para departamento técnico, nomeadamente para a parte da manutenção, mas até ao momento não houve respostas, confirmou Renato Correia, diretor geral do Bessa Hotel Boavista.
No Hotel Dom Henrique, unidade de referência na Baixa da cidade do Porto, também submeteram "duas vagas" na plataforma digital, oferecendo emprego nas áreas da arrumação de quartos e restauração", mas segundo Luís Peres, diretor da unidade, ainda não receberam qualquer candidatura para entrevistas de trabalho.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da Associação Portuguesa de Hotelaria Restauração e Turismo (APHORT) indicou que o processo das candidaturas "está em curso", mas acrescentou que ainda era "prematuro fazer uma avaliação dos resultados" sobre as ofertas de emprego na plataforma digital a refugiados ucranianos.
Esta semana, a cônsul da Ucrânia no Porto, Alina Ponomarenko, considerou que o turismo era "uma boa área" para os refugiados ucranianos trabalharem em Portugal porque "são qualificados" e "sabem o que fazer".
"É uma boa área para os ucranianos trabalharem [o turismo]. Os ucranianos são trabalhadores qualificados e, antes da guerra, o turismo na Ucrânia estava em grande crescimento, havia muito turismo e muito trabalho. Nós sabemos trabalhar em turismo", declarou a cônsul à margem da presença na primeira edição a Norte da Bolsa de Empregabilidade do Porto.
