
Encher um depósito com 45 litros de gasolina fica agora 10,3 cêntimos por litro mais barato comparativamente ao início de 2018.
No caso de um consumidor que ateste o veículo todas as semanas, a poupança será de 240 euros por ano, partindo do princípio de que os preços médios a 31 de dezembro, apurados pela Comissão Europeia, se mantêm (1,407 euros/litro) ao longo deste ano. No caso do gasóleo - 1,272 euros no final de 2018, que compara com 1,321 euros no início do ano -, a poupança será de 115 euros.
A perspetiva não é totalmente irrealista. O preço do crude Brent - indicador de referência na Europa - seguia ontem a cair para os 54,26 dólares. Há um ano, mais concretamente na semana de 1 a 5 de janeiro de 2018, a cotação média do Brent era de 67,89 dólares por barril, isto é, 25% acima da atual.
"A evolução do preço do petróleo em 2019 dependerá muito dos mercados acionistas. Se estes estiverem pessimistas como atualmente, a tendência será de manutenção ou queda. O mercado acredita que há excesso de oferta e, portanto, não vejo agora que o petróleo possa recuperar muito mais", afirma Ricardo Marques, analista de mercados da IMF.
O petróleo e a cotação internacional dos refinados (gasolina e gasóleo), que acabam por mostrar qual é o custo dos combustíveis à saída da refinaria, pesam 29% no preço final do gasóleo e 22% no caso da gasolina. Segundo Ricardo Marques, a alta do petróleo em 2018, sobretudo até outubro, prendeu-se mais com uma expectativa, não confirmada, de escassez. Por outro lado, nos últimos três meses, as perspetivas de abrandamento da economia toldaram a cotação do Brent.
"Aliás, a correlação entre o petróleo e a gasolina é cada vez menor. O gasóleo, por exemplo, custa 50 cêntimos sem impostos e só esta parte é que pode sofrer variações em função das cotações. O resto é por conta dos impostos, que sofreram consecutivos agravamentos nos últimos anos", sublinha Ricardo Marques. Segundo as estatísticas da Comissão Europeia, o preço sem impostos de gasóleo é de 59 cêntimos. Ou seja, a carga fiscal nos combustíveis representa mais de metade do preço final. Desde o dia 1, no entanto, acabou o adicional ao imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) na gasolina, o que colocou o preço daquele combustível no nível mais baixo desde novembro de 2016.
Margens de comercialização
A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) reconhece que a baixa de preços verificada nas últimas semanas de 2018 tem levado a um maior volume de vendas, mas alerta para o problema da rentabilidade. "As petrolíferas é que nos apresentam os preços finais tabelados. Nós não podemos fazer nada e, por outro lado, as muitas promoções existentes para o consumidor final têm sido feitas à custa das nossas margens de comercialização", refere Francisco Albuquerque. O presidente da Anarec refere ainda que "o negócio dos postos centra-se muitas vezes mais nas vendas extracombustíveis, nomeadamente as de loja e lavagens de veículos".
