Economia

Juros da dívida ultrapassaram os 7%

Juros da dívida ultrapassaram os 7%

Os juros cobrados pelos mercados internacionais para comprar dívida pública portuguesa ultrapassaram, esta manhã, os 7%, o máximo aceitável, segundo Teixeira dos Santos, antes de levar Portugal a recorrer ao FMI.

A barreira psicológica dos 7 por cento nos juros da dívida pública portuguesa a 10 anos foi hoje ultrapassada numa operação com pouco volume feita no mercado interbancário, mas, no mercado secundário, apesar da aproximação, ainda não foi rompida.

"Só houve uma operação de baixo volume acima dos 7 por cento no mercado interbancário mas, no mercado secundário [onde se efetua a maioria dos negócios], essa barreira ainda não foi atingida, ainda que esteja muito próxima", disse hoje à agência Lusa Bruno Costa, operador da Go Bulling, corretora do Banco Carregosa.

No mercado secundário o valor máximo atingido hoje pelas taxas de juro da dívida soberana portuguesa a 10 anos foi de 6,92 por cento, de acordo com os dados da agência financeira Bloomberg, ainda que a média diária seja mais baixa (6,733 por cento).

O Estado português vai fazer, amanhã, uma nova emissão de dívida pública, numa altura em que os mercados continuam a afiar o dente sobre Portugal, com os juros da dívida pública a passarem dos 7%.

"Amanhã iremos fazer um leilão desta mesma dívida, por isso, a não ser que haja uma recuperação forte, será à volta desta taxa que o Estado irá pagar", disse Filipe Silva, gestor do mercado e dívida do Banco Carregosa

Ontem, os juros da dívida pública portuguesa tinha batido um novo recorde, nos 6,819%, ultrapassado na manhã de hoje, com os juros a subirem para os 6,867% às primeiras horas do dia.

Em entrevista ao Expresso, no passado dia 9, Teixeira dos Santos admitia que 7% era o máximo de juros suportáveis por Portugal e que, atingida esta barreira Portugal "entra num terreno" em que é melhor recorrer ao fundo europeu e ao FMI.

O Governo, pela voz do ministro da Economia, veio hoje desdizer Teixeira dos Santos: "Não há nenhum limite objectivo, nem a fixação de nenhuma fronteira. A situação internacional tem evoluído muito rapidamente e as avaliações têm de ser feitas à medida que essa evolução se verifica", disse Vieira da Silva.

Com esta renovação consecutiva do recorde dos juros, os mercados aguardam com expectativa o leilão de quarta-feira de dívida de longo prazo pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, em que o Tesouro quer conseguir entre 750 e 1250 milhões de euros, numa altura em que já obteve financiamento para 93% da dívida..

Se nesta emissão Portugal conseguir suprir as suas necessidades de financiamento, este deverá ser o último leilão do ano.

A Irlanda é hoje o único país que acompanha Portugal nesta tendência de subida, com os juros da dívida irlandesa a dez anos a baterem o máximo de 7,903%, acima do valor de 7,859% registado segunda feira.

Na maturidade da dívida portuguesa a cinco anos, os juros exigidos pelos investidores negoceiam nos 5,819%, o maior valor desde o máximo histórico de 6,076 a 07 de maio de 2010.

Quanto ao 'spread' da dívida portuguesa face à alemã, ou seja, o prémio pedido pelos investidores para comprarem obrigações portuguesas em vez de alemãs, agrava-se para 464,1 pontos base nos títulos a 10 anos, enquanto o 'spread' dos juros a cinco anos está em 440,1 pontos base.