
O presidente do Conselho de Administração e Administrador-Delegado do Grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos
Inácio Rosa/Lusa
Pedro Soares dos Santos, presidente executivo da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, recebeu em 2017 um rendimento bruto ligeiramente superior a dois milhões de euros.
O valor em causa, que resulta dos vários cargos que ocupa no grupo, representa um aumento de 58,3% face a 2016. Significa que ganhou 152 vezes mais do que a média salarial dos seus trabalhadores (13 229 euros anuais).
O ganho de Pedro Soares dos Santos não resulta apenas do seu salário. O presidente executivo recebeu da Jerónimo Martins 220 500 euros a título da componente fixa e 378 mil resultantes da componente variável, a que se juntaram 299 250 euros no âmbito do plano de pensões de reforma. Àqueles valores juntaram-se 409 500 euros de componente fixa e 702 mil euros de componente variável que foram pagos por sociedades ligadas de alguma forma à Jerónimo Martins e nas quais Pedro Soares dos Santos exerceu funções.
Visto do lado dos trabalhadores, o cenário é bem diferente. Em vez de um aumento de 58,3%, a atualização geral foi de apenas 3%. Mesmo somando ordenados/salários, com pagamentos feitos à Segurança Social em nome dos trabalhadores, benefícios de empregados e outros custos com pessoal, o resultado final é que os 98 729 funcionários do grupo auferiram um ganho médio anual de apenas 13 229 euros, o que dá cerca de 945 euros brutos divididos por 14 meses.
No caso específico da Jerónimo Martins, o fosso entre o presidente executivo e a média salarial do grupo agravou-se no ano passado. Em 2016, Pedro Soares dos Santos tinha arrecadado 1,269 milhões de euros, mais 46% em relação a 2015. Já a média salarial do grupo tinha sido de 12 500 euros anuais por trabalhador. Na prática, o CEO ganhou 101 vezes mais que os seus colaboradores.
O caso não é inédito entre as grandes empresas privadas a operar em Portugal. António Mexia, presidente executivo da EDP, ganha cerca de 52 vezes mais do que a média salarial dos seus trabalhadores. O presidente da elétrica nacional teve direito a 2,2 milhões de euros em 2017, entre remuneração fixa, variável e prémios, conforme o JN noticiou no dia 2 de março.
