PROCURA UMA EMPRESA?

PESQUISE POR NOME, NIF OU MARCA, GRATUITAMENTE!

Relatórios de todas as empresas portuguesas

O Jogo ao Vivo

Associação

Lucro da Mutualista Montepio caiu 99,7% em 2018

Lucro da Mutualista Montepio caiu 99,7% em 2018

Resultado líquido foi de 1,63 milhões de euros em 2018, valor que compara com 587,5 milhões em 2017. Número de associados diminuiu ao ritmo de 1067 por mês no ano passado.

Se não fosse um artifício matemático chamado "impostos diferidos", a Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) teria um resultado líquido negativo em torno dos seis milhões de euros. No entanto, como foram registados, em 2018, 8,4 milhões de euros de impostos diferidos, decorrentes, nomeadamente, de prejuízos fiscais, o resultado foi positivo em 1,63 milhões de euros, menos 99,7% do que em 2017, segundo o relatório e contas da AMMG a que o JN teve acesso.

O número de associados tem vindo a cair de forma consistente. Em 2016, eram 632.477, caindo para 625.419 no ano seguinte. Em 2018, eram já 612.607. Uma perda superior a 1000 associados por mês no espaço de um ano.

Por outro lado, as contas da AMMG registam um resultado negativo de 191,2 milhões de euros na margem associativa, isto é, a diferença entre os custos e os proveitos com aplicações dos associados na própria associação. Apesar tudo, uma melhoria de 48,8% face a 2017.

A polémica em torno de Tomás Correia

Desde que em 21 de fevereiro foi conhecido que Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, foi condenado pelo Banco de Portugal a uma multa de 1,25 milhões de euros por irregularidades no período em que era presidente do banco Montepio, que se tem discutido a avaliação da idoneidade do gestor com "ping pong" entre o Governo e o regulador dos seguros sobre quem deve fazer essa análise.

Em declarações à Lusa, no dia seguinte a ser conhecida a multa, o presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) disse que não competia à entidade que lidera pronunciar-se sobre a idoneidade de Tomás Correia, uma vez que a regulação da mutualista Montepio ainda cabe ao Ministério do Trabalho.

Isto porque, segundo José Almaça, apesar de existir um novo Código das Associações Mutualistas, ainda está em curso o período transitório (que pode durar até 12 anos) de convergência da Associação Mutualista Montepio com o regime de supervisão financeira do setor segurador e, só depois disso, é que o regulador dos seguros assume essas competências.

Ainda no mesmo dia, à noite, em comunicado conjunto dos Ministérios das Finanças e do Trabalho, o Governo citou o novo código mutualista para considerar que o regulador dos seguros já tem o "poder de analisar o sistema de governação e os riscos a que a Associação Mutualista do Montepio Geral está, ou pode vir a estar exposta".

O ministro do Trabalho sublinharia essa mesma posição aos jornalistas em 26 de fevereiro, ao considerar que o decreto-lei "é muito claro" e que não é necessária qualquer clarificação para ficar explícito a quem cabe a avaliação da idoneidade. Vieira da Silva considerou que a supervisão está na ASF e que ao seu Ministério cabe uma tutela de "natureza global".

Em 1 de março, no dia seguinte a José Almaça ter sido recebido pelo Presidente da República, o regulador dos seguros insistiu em comunicado (citando vária legislação) que não tem competência para avaliar a idoneidade dos órgãos sociais das mutualistas.