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Montepio vai pagar custas processuais dos gestores

Montepio vai pagar custas processuais dos gestores

Despesas com advogados e custas judiciais de processos de ex-administradores serão pagas pelo Banco Montepio, conforme decisão de assembleia que não foi divulgada, denuncia Eugénio Rosa.

"Na Assembleia Geral da Caixa Económica, em que Tomás Correia era o único representante do acionista que é a Associação Mutualista, realizada em 16 de março de 2018, foi aprovado o pagamento pelo Banco Montepio de todos os custos que podiam ter os atuais ou antigos administradores com processos resultantes da sua atividade na Caixa Económica que decorressem de decisões de entidades oficiais", denuncia o economista Eugénio Rosa, preocupado com as coimas de cerca de cinco milhões de euros, aplicadas, há dias, pelo Banco de Portugal, ao atual líder da Associação Mutualista Montepio e a sete administradores por irregularidades graves quando encabeçava o banco homónimo.

A decisão do Banco de Portugal só foi conhecida há dias, mas resulta de uma auditoria forense iniciada à Caixa Económica Montepio Geral no verão de 2014. A conclusão aponta para crimes de quebra das regras de controlo interno e falta de respeito pelas normativas definidas nos regulamentos para a concessão de créditos avultados a clientes próximos de Tomás Correia, Paulo e José Guilherme. Este último deu um "presente" de mais de 14 milhões de euros a Salgado e foi no âmbito das investigações ao Banco Espírito Santo que o Montepio acabou também investigado.

Fonte oficial da Caixa Económica explicou, ao JN, que o pagamento de despesas com advogados e de custos processuais de situações relacionadas com a atividade dos administradores é prática comum nos bancos em Portugal, mas que não estão contemplados pagamentos de coimas por processos pessoais.

"É urgente que o Banco de Portugal, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) e o Governo tomem medidas para impedir a eventualidade de tal escândalo [ser o banco a pagar as coimas dos administradores]. Se não o fizerem, e se continuar o triste espetáculo público de a ASF, em declarações do seu presidente, dizer que não avalia a idoneidade de Tomás Correia e o Governo a afirmar, em comunicado público dos ministérios do Trabalho e das Finanças, que é a ASF que tem de fazer essa avaliação para retirar Tomás Coreia da Associação Mutualista, já que a sua permanência afeta a reputação do Montepio e põe em perigo as poupanças dos associados, os associados não deixarão de responsabilizar estas três entidades (Banco de Portugal, ASF e governo) não só por serem coniventes com este escândalo mas também por tudo aquilo que acontecer no futuro no Montepio", apela Eugénio Rosa, antigo membro do Conselho Geral do banco, crítico da gestão da associação mutualista há vários anos.