Sindicato

"Turismo algarvio alcança recordes com precariedade e salários baixos"

"Turismo algarvio alcança recordes com precariedade e salários baixos"

O Sindicato da Hotelaria do Algarve criticou, este domingo, as condições de precariedade e baixos salários dos profissionais do setor, enquanto os seus representantes falam de recordes de dormidas, número de passageiros no aeroporto ou voltas a campos de golfe.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve lamenta que a situação de precariedade vivida pelos profissionais da hotelaria na região não seja apontada também por patrões e pelo Governo quando fazem muitas declarações "acerca dos recordes no setor do turismo no Algarve".

"Infelizmente, nem patrões nem Governo falam nos recordes de horas trabalhadas, horários desregulados, precariedade, desemprego, baixos salários e trabalho não pago que se batem todos os anos no setor do turismo no Algarve", contrapôs o sindicato num comunicado.

A estrutura sindical, afeta à União de Sindicatos do Algarve, que por sua vez está filiada na Confederação Geral de Trabalhadores Portugueses (CGTP), critica também os "milhares de estagiários que todos os anos 'trabalham' no setor do turismo no Algarve".

Estes trabalhadores ficam, sustenta, "sujeitos a todo o tipo de arbitrariedades" e são "usados para ocuparem postos de trabalho" sem que as empresas tenham os encargos de contratar trabalhadores e pagar os respetivos salários.

"Relativamente ao desemprego, se os dados forem analisados por setor de atividade, verificamos que o maior número de desempregados se concentra na rubrica 'alojamento, restauração e similares', facilmente se percebendo que as empresas recorrem cada vez mais aos vínculos precários, fazendo contratos sucessivos para o mesmo posto de trabalho, para poderem ter trabalhadores mais fragilizados e mais submissos às más condições de trabalho e aos baixos salários", refere ainda a estrutura sindical.

O Sindicato da Hotelaria do Algarve aponta ainda como fatores negativos para a "maioria dos trabalhadores deste setor" o facto de "há mais de uma década não verem os seus salários melhorados devido ao bloqueio que patronato e Governos estão a fazer à negociação da contratação coletiva".

A não atualização salarial destes profissionais representa, para o sindicato, uma "perda do poder de compra" e o "empobrecimento dos trabalhadores".

A formação sindical considera por isso urgente a adoção de uma "verdadeira mudança de política que revogue as normas gravosas do Código do Trabalho", recuperando convenções coletivas de trabalho, adotando medidas para combater "os altos níveis de precariedade existente no setor" ou reforçando meios de fiscalização da Autoridade para as Condições no Trabalho.