Economia

Turismo rouba casas aos mais pobres de Lisboa e Porto

Turismo rouba casas aos mais pobres de Lisboa e Porto

"É preciso acompanhar mais de perto" o que está a acontecer no mercado de habitação em Portugal, em particular em Lisboa e Porto, alerta a equipa da Comissão Europeia que veio ao país avaliar o pós-programa de ajustamento.

No nono relatório sobre Portugal, divulgado ontem ao início da noite, os especialistas da Comissão Europeia (CE) mostram-se preocupados com os efeitos da subida do valor das casas nos últimos anos e constatam, por exemplo, que há efeitos sociais destruidores em curso.

"O aumento nos preços das casas está em grande medida concentrado nas principais cidades de Lisboa e Porto, onde as atividades do turismo se estão a expandir para as áreas residenciais, com um impacto negativo na habitação a preços acessíveis para os grupos socialmente vulneráveis", constatam os peritos.

Procura vai abrandar

Horas antes, de manhã, a Comissão Europeia, ao mais alto nível, no estudo sobre as projeções económicas do inverno, apresentado em Bruxelas pelo comissário da Economia, Pierre Moscovici, também tocou no problema das casas e nos perigos que uma travagem abrupta na procura de habitação (seja pelo arrefecimento dos fluxos turísticos, seja por via de uma quebra na capacidade financeira dos estrangeiros que vêm ao país comprar imobiliário) representa para a estabilidade da economia portuguesa.

Para Bruxelas, a explosão vivida nos anos mais recentes no mercado habitacional em Portugal pode ter os dias contados. A produção de casas continua a "recuperar", mas é de esperar um "abrandamento da procura externa", isto é, da aquisição por investidores estrangeiros. O ambiente externo está mais incerto, há o problema do Brexit e a travagem da economia chinesa.

Portanto, se houve um "boom" imobiliário - e alguns analistas afirmam que sim - ele pode estar prestes a acabar.

Bruxelas vem assim juntar-se ao Banco de Portugal e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) nos avisos ao aparente fim de ciclo de forte expansão que pode estar a acontecer no mercado imobiliário português, um fenómeno que não sendo generalizado, parece afetar bastante algumas economias locais.

Menos investimento

O crescimento da economia portuguesa foi revisto em baixa ligeira em 2018 e 2019 pela Comissão Europeia (CE), que agora está bastante mais negativa relativamente aos riscos que podem afetar Portugal e, sobretudo, a Europa e a Zona Euro. Esta última só deve crescer 1,3% e mesmo isto não é certo.

De acordo com as novas previsões, a economia nacional deve expandir-se apenas 1,7% este ano, o pior registo desde 2014, estava Portugal a sair do programa de austeridade da troika e do Governo PSD-CDS. Nessa altura, cresceu só 0,9%.

No capítulo sobre Portugal, Bruxelas deixa claro que os riscos para os próximos dois anos "são negativos já que a deterioração projetada na procura externa e o aumento da incerteza global podem ter efeitos negativos nas decisões de investimento das empresas".

A CE revela-se, de facto, mais pessimista quanto às ondas de choque que podem vir da China e aos efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia.

Avaliação

Cortar em quê?

Metade da poupança prevista este ano por Mário Centeno na revisão da despesa será feita à custa da saúde e da educação. A conclusão é da Comissão Europeia (CE) que publicou ontem o relatório da nona missão de avaliação.

Função Pública

Na avaliação, a CE volta a alertar para os riscos de a despesa com pessoal furar as metas do Governo. "O número de funcionários públicos e a massa salarial continuam a pressionar a despesa que pode ultrapassar os próprios objetivos orçamentais das autoridades", referem os técnicos de Bruxelas.

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