Indústria

Uma empresa de fornos com projetos na forja

Uma empresa de fornos com projetos na forja

Empresa da Batalha que faz fornos para a cerâmica vai entrar noutro segmento de mercado, pelo que está a equacionar investir numa segunda unidade de produção. Faturação pode chegar aos cinco milhões de euros em 2021.

Há 25 anos a fabricar fornos para a indústria cerâmica, a Induzir planeia entrar num novo segmento de mercado, o que a obrigará a ter uma segunda unidade de produção, revela ao JN Carlos Lopes, diretor e sócio da empresa, localizada na zona industrial da Jardoeira, Batalha, no distrito de Leiria.

"Se se concretizar um crescimento constante, nos próximos três anos, temos de arranjar uma unidade próxima, para termos capacidade de resposta", explica. A intenção do empresário é começar a fabricar equipamentos térmicos para outras indústrias. "Temos esperança de ganhar um projeto de grande dimensão fora da cerâmica".

Com a entrada noutros setores de atividade, Carlos Lopes prevê que a Induzir possa vir a atingir um volume de negócios de cinco milhões de euros, dentro de três anos. Um crescimento de dois milhões, face ao ano passado, que resulta ainda do investimento de cerca de 200 mil euros em equipamentos e na melhoria das condições de trabalho, medidas que permitiram ainda recorrer menos à subcontratação.

"Ao longo dos anos, fomos crescendo e sentimos que não tínhamos as instalações adequadas e pessoas suficientes, pelo que mandávamos fazer estruturas metálicas a empresas locais", explica o diretor da Induzir. "Com a aquisição de equipamentos, tornámo-nos mais autónomos e não subcontratamos tanto." Atualmente, a empresa tem 30 trabalhadores, número que é reforçado sempre que as encomendas aumentam.

Menos consumo energético
Ao nível da evolução tecnológica, Carlos Lopes evidencia o facto de terem conseguido reduzir o consumo energético dos fornos em 25%, graças ao controlo e reaproveitamento de ar quente, o que se traduz numa mais-valia para as empresas com as quais trabalham. "Temos um cliente de Vagos com um forno nosso que ganhou um prémio da EDP por eficiência energética, em 2017", conta.

No ano passado, o mercado nacional foi responsável por 90% da faturação da empresa da Batalha. Os restantes 20% decorrem de vendas no Brasil, Polónia e Espanha. O empresário explica que, apesar de terem aberto poucas empresas de cerâmica em Portugal, as que se mantêm no mercado têm investido no aumento da área da produção, nos últimos dois ou três anos. Quanto ao mercado internacional, as vendas são pontuais. "As negociações chegam a demorar um ano e, até estarem concluídas, por vezes, passam dois anos", assegura.

A estratégia comercial está agora a ser direcionada para mercados mais próximos: Europa e norte de África. "Mas, se aparecerem negócios na América Latina, não dizemos que não", garante Carlos Lopes. Apenas com um concorrente no país, a Induzir bate-se, sobretudo, com empresas italianas e alemãs, das quais procura diferenciar-se. "Somos conhecidos por apresentarmos soluções. Não fazemos nada standard. Desenvolvemos o forno à medida."