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Vítor Constâncio em colisão com Durão Barroso e Cavaco Silva

Vítor Constâncio em colisão com Durão Barroso e Cavaco Silva

O governador do Banco de Portugal considera que o plano da Comissão Europeia para estimular a economia pode ser insuficiente. E, ao contrário de Cavaco, entende que dívida externa não é uma questão essencial.

Vítor Constâncio falava numa cerimónia de comemoração dos dez anos do euro, em Lisboa. O governador do Banco de Portugal (BdP) admitiu que a integração de Portugal no espaço monetário europeu, ao permitir o acesso a bens de consumo duradouros e o aumento da qualidade de vida além do rendimento disponível, gerou alguns desequilíbrios macroeconómicos, nomeadamente mais endividamento externo.

Contudo, no actual quadro económico, "o essencial não é esta questão". "O essencial agora é a resposta à crise financeira e económica", frisou, lembrando que, num contexto de união monetária, "há muito mais tempo e possibilidades de fazer os ajustamentos".

A posição de Constâncio surge depois de o presidente da República ter alertado para o elevado endividamento externo do país, na mensagem de Ano Novo. Cavaco Silva frisou, no primeiro dia do ano, que "Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz" e que o país "não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos".

Mas não foi apenas a perspectiva económica do presidente da República que esteve debaixo de críticas no discurso de Constâncio. Ao abordar a crise financeira e económica internacional, o governador afirmou que "os apoios públicos anunciados na Europa talvez sejam insuficientes". Constâncio aludiu aos casos da Irlanda, do Reino Unido e dos Estados Unidos, que vão ter défices de 7% e 8%, classificando a resposta da Europa como "tímida".

Também presente na cerimónia, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, refutou a acusação. "A resposta da Europa foi extremamente corajosa e determinada. Se será suficiente, vamos ver", afirmou, admitindo que o plano europeu, que prevê 200 mil milhões de euros de estímulo à economia, pode ser revisto, mas "em devido tempo".

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e o primeiro-ministro, José Sócrates, lembraram o papel positivo da moeda única no combate à crise.