Emprego

Mais de 800 mil pessoas trabalham por turnos em Portugal

Mais de 800 mil pessoas trabalham por turnos em Portugal

É o maior número de trabalhadores com horários por turno desde 2011, quando se iniciou a nova série do Inquérito ao Emprego, do Instituto Nacional de Estatística.

No final de setembro deste ano, 835 mil pessoas estavam a trabalhar por turnos, o que representa um acréscimo homólogo de 4,8% e em cadeia (ou seja, comparando com o trimestre anterior) de 6,7%.

No universo de trabalhadores por conta de outrem, representa cerca de 17% das mais de 4,9 milhões pessoas com emprego. Em termos absolutos, mais 53 mil pessoas engrossaram o contingente dos turnos no 3. º trimestre. É o único tipo de horário com aumento de efetivos. Aos serões, à noite, aos sábados e aos domingos, houve uma descida entre os dois trimestres.

O aumento do número de trabalhadores a fazerem turnos, tradicionalmente, regista um reforço no 3.º trimestre. Uma evolução que poderá estar relacionada com os meses fortes do turismo, no verão.

O economista João Cerejeira assume que pode ser um "movimento conjuntural", mas acredita que há também fatores de ordem estrutural a explicar a evolução. "As empresas recorrem ao trabalho por turnos quando os custos fixos são elevados; o acréscimo da procura é sentido como sendo temporário e os custos de recrutamento de trabalhadores são elevados", lembra o investigador da Escola de Economia e Gestão, da Universidade do Minho.

"É natural que o trabalho por turnos aumente quando o desemprego baixa ou quando há incertezas elevadas quanto à evolução da procura no futuro ou ainda quando há dificuldades em investir", diz o especialista em mercado de trabalho.

Comparando com o 3.º trimestre de 2018, a evolução é menos linear. Se, no caso dos turnos, se regista um aumento de 4,8%; nos restantes tipos de horários atípicos, as variações são mais modestas ou mesmo negativas. Por exemplo, há menos 13 mil pessoas a trabalharem à noite, mas mais 68 mil a cumprir jornadas aos sábados.

Mais mulheres

No 3.º trimestre deste ano, mais de 423 mil mulheres tinham horários variáveis, contra 409 mil homens. Em termos de variação homóloga, as mulheres continuam a bater os homens, com um reforço de quase 9%.

Mas, nos restantes horários, são os homens que ganham às mulheres, sejam os serões, as noites, os sábados e os domingos. A maior diferença regista-se à noite, com mais 226 mil homens a fazerem este horário do que mulheres.

A diferença menor é nos horários ao domingo em que existem "apenas" mais 60 mil homens a trabalhar neste dia da semana.

Patrões decidem maioritariamente o tipo de horário

O horário de trabalho é, na esmagadora maioria das vezes, decidido pela entidade patronal. Segundo dados do Inquérito ao Emprego, no 2.º trimestre deste ano, "para cerca de 64,7% da população empregada o horário é decidido pela entidade empregadora, clientes ou disposições legais e não pelo próprio (com ou sem restrições)." Também aqui a percentagem é maior nas mulheres (68,4%) que nos homens (61,1%). E são os que têm contrato com termo que menos têm a opinar sobre o horário. No caso dos trabalhadores por conta de outrem, em 74% das vezes é o patrão quem decide. Em termos de ramos de atividade, o INE refere que a decisão por parte da empresa "atinge a sua expressão máxima nas indústrias transformadoras e nas atividades de saúde humana e de apoio social (77,7%), e a mínima na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca (25,2%)". Por escolaridade, a percentagem é menor entre aqueles que têm Ensino Superior (55,9%)".