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Marco Galinha, Prozis e Apollo fazem proposta para compra da TVI

Marco Galinha, Prozis e Apollo fazem proposta para compra da TVI

O empresário Marco Galinha, do grupo Bel, juntou-se ao fundo Apollo e ao Prozis Group para fazer uma oferta de compra da TVI, apurou o JN. A oferta terá sido feita no início do mês.

Fonte ligada ao processo contactada por este jornal sublinha que a importância desta oferta prende-se com o facto de ser fundamental que meios da comunicação social portugueses possam continuar em mãos nacionais. E que qualquer investidor português não pode esquecer a relevância de apoiar o jornalismo.

O Público, que primeiro avançou com a notícia, diz que a Nova Expressão também estaria envolvida no negócio mas Manuel Falcão, contactado pelo Dinheiro Vivo, desmentiu que haja qualquer ligação do grupo a esta tentativa de aquisição. "A Nova Expressão é cliente de empresas do grupo Media Capital e nada mais. Não misturamos clientes com outros negócios", frisou o membro do conselho executivo da agência de meios Nova Expressão ao DV.

"Foi apresentada uma proposta e não era desconhecido de ninguém que havia um interesse do grupo Bel, nomeadamente do CEO [presidente executivo] do grupo, na aquisição da TVI, do grupo Media Capital", afirmou a diretora de comunicação do grupo, Helena Gouveia.

"O que posso confirmar enquanto grupo Bel é que há uma proposta que foi entregue e que há um consórcio envolvido para compra da Media Capital", acrescentou, sem revelar o nome das outras entidades envolvidas, as quais, a seu tempo, serão conhecidas.

A proposta, cujos valores envolvidos não foram avançados, "foi entregue no início deste mês", concluiu.

Marco Galinha é o empreendedor que ficou conhecido no programa de televisão "Tubarões", a versão portuguesa do "Shark Tank", mas a sua grande riqueza começou no software e, mais tarde, construiu um império nas máquinas de distribuição, principalmente de tabaco.

Nas suas poucas intervenções, o empresário já tinha demonstrado o interesse em apostar na comunicação social. Construiu a sua riqueza ao fundar o grupo Bel. Começou por poucas máquinas de tabaco em Rio Maior e, depois de uma série de aquisições rápidas, conseguiu chegar à liderança do setor. Atualmente, entre tabaco, comida e bebidas, tem cerca de seis mil máquinas automáticas e uma faturação que ultrapassa os 450 milhões de euros em vendas, e um lucro por volta dos três milhões de euros.

Marco Galinha é o sétimo de oito filhos, natural de Rio Maior. Desde cedo teve a paixão pelas bicicletas, onde foi campeão nacional de BTT.

A Cofina anunciou a 11 de março que ia abandonar o negócio para a compra da Media Capital, que inclui marcas como a TVI e a Rádio Comercial, depois de ter feito uma oferta em setembro à espanhola Prisa no valor de 170 milhões de euros. A transação avaliava o grupo que controla a TVI em 205 milhões de euros.

Para isso, a Cofina realizou uma oferta pública na bolsa que permitiria o aumento de capital no montante de 85 milhões de euros (de 25,6 milhões para 110,6 milhões de euros) para financiamento da compra do grupo Media Capital, mas não teve sucesso.

Na altura, a Cofina justificou o rompimento do acordo com a instabilidade nos mercados financeiros, em pleno surto do novo coronavírus, o que fez com que o grupo de Paulo Fernandes não conseguisse completar o aumento de capital necessário para fechar o negócio.

Umas horas mais tarde, a dona da TVI dizia em comunicado não ter recebido qualquer comunicação prévia por parte da Cofina e que iria processar o grupo de Paulo Fernandes.

"A sociedade iniciará a partir deste momento todas as ações contra a Cofina previstas no contrato de compra e venda", explicava a Prisa num comunicado enviado ao regulador espanhol do mercado de capitais.