Trabalho

Pandemia arrasou com os segundos empregos

Pandemia arrasou com os segundos empregos

É uma queda sem precedentes, nem mesmo vista durante o período da troika. O número de portugueses com um segundo emprego registou a maior deterioração trimestral entre abril e junho deste ano, pelo menos desde 2011 quando se iniciou a atual série do Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os cálculos do JN/Dinheiro Vivo com base nos dados do Inquérito ao Emprego do INE, entre o 1.º e o 2.º trimestre, registou-se uma queda de quase 30%, representando mais de 62 mil pessoas que ficaram sem uma segunda fonte de rendimento.

No 1.º trimestre, 216,4 mil pessoas tinham um segundo emprego, representando 4,4% do total das pessoas empregadas. Esse valor desceu para 154,3 mil portugueses no trimestre seguinte, correspondendo a 3,3% da população empregada.

No 3.º trimestre, apesar de alguma retoma no número de pessoas com mais do que um emprego, o valor ficou 15% (33 mil pessoas) abaixo do período pré-confinamento.

O valor mais elevado de trabalhadores com mais do que um emprego foi registado no 1.º trimestre de 2011, já quando Portugal entrava em plena crise financeira que levou à intervenção do FMI, da Comissão Europeia e do BCE.

Nesse período, mais de 253 mil pessoas disseram ter um outro emprego, que o INE define como "atividade exercida pelo indivíduo, para além da atividade principal". Esse valor correspondia a 5,3% da população empregada. Desde então que não se atinge um valor tão elevado, tendo atingido a cifra mais baixa no 2.º trimestre deste ano.

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Precários mais expostos

"Existe uma explicação óbvia", aponta o economista Pedro Brinca, da Nova School of Business and Economics. "Com a quebra da procura, os primeiros postos de trabalho que tendem a terminar são os de vínculo precário porque são mais baratos de eliminar", afiança o professor de economia.

Mas o que explica que aconteça com estes trabalhadores? "Normalmente, os segundos empregos têm este tipo de vínculos, daí serem os primeiros a demonstrarem uma quebra acentuada", detalha.

E se olharmos para o tipo de atividades mais afetadas, faz sentido a quebra e a ligeira recuperação, tendo em conta que o turismo, pela sua natureza sazonal, emprega muitas pessoas em part-time, como no caso do transporte ou a restauração. Mas também o caso do comércio.

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